terça-feira, 31 de março de 2009

A defesa do Atlético é confiável?

O ano começou com quatro gols no primeiro jogo. Nos seis jogos seguintes mais seis gols. Depois do segundo clássico da temporada, a defesa do Atlético sofreu apenas três em oito partidas. Evolução? Ao que parece sim.

A defesa vem se mostrando mais consistente com o maior entrosamento dos que chegaram. Do goleiro a Carlos Alberto – último homem específico de marcação – foram quatro mudanças em oito posições. Juninho também demonstra estar mais seguro do que no início da temporada. Desde a falha no segundo gol do Cruzeiro, na derrota por 2 a 1, o goleiro salvou bolas importantes nas últimas quatro vitórias, todas por um gol de diferença.

Emerson Leão tem utilizado, desde a partida contra o Villa Nova, Werley improvisado na lateral-direita. Embora o zagueiro saia apenas eventualmente para o ataque, sua função parece ser proteger mais o sistema defensivo para liberar Júnior ao ataque. O camisa 6 marcou dois gols em três jogos. O Atlético perde, com a saída de Marcos Rocha do time titular, variação de jogadas e velocidade. Ganha na defesa.

O que preocupa ainda é o fato de seis dos 13 gols sofridos na temporada terem sido marcados pelo único time realmente forte que o Galo enfrentou – o Cruzeiro. Como o campeonato mineiro é muito fraco tecnicamente, é difícil prever se a defesa terá um bom desempenho no campeonato brasileiro. O que se pode fazer é comparar. Ano passado, nos 15 primeiros jogos na temporada, o Atlético havia sofrido 11 gols. Na seqüência, a equipe de Geninho desandou, foram 11 gols em seis partidas.

O time é mais sólido e confiável do que o de 2008, tem também melhores valores individuais. Faltam testes maiores para sabermos se, nesta temporada, o torcedor vai ter motivos para ter dores de cabeça com a defesa do Galo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O Brasil inconstante e que não evolui: os problemas de Dunga.

Já foi dito nesse blog que a minha preocupação com o Brasil é o fato da seleção não evoluir. Na Copa América, nas Olimpíadas e entre os jogos com Canadá e Argentina, no meio do ano passado, Dunga teve mais de um mês para trabalhar a equipe, e não se viu melhora alguma da primeira para a última partida – a exceção da final da Copa América, um hiato frente a Argentina.

Não acho justo cobrar bom futebol quando o time se reúne e faz dois ou três treinos antes de uma partida. Não há tempo para se formar um conjunto e se definir como um time. Mas, a inconstância do Brasil, em jogos de eliminatórias e amistosos, é absurda. A equipe fez grandes jogos contra Portugal, Itália e Chile, e foi facilmente anulada contra Colômbia, Bolívia e Equador.

É bom ressaltar que Portugal e Itália passam por má fase e, apesar da qualidade individual de seus jogadores, vêm de péssimos resultados. Portugal ganhou um dos cinco jogos nas eliminatórias européias e antes de vir à Brasília havia empatado com a Albânia, em casa. A Itália venceu Montenegro com dificuldade nas duas últimas rodadas.

O time de Dunga tem qualidades. Sabe usar muito bem os contra-ataques, principalmente. A questão é que na primeira fase da Copa do Mundo, os adversários vão jogar fechados, assim como Bolívia e Equador. Lembrando, a seleção não mostra evolução e não mostra solidez. Os três primeiros jogos podem ser complicados se a seleção mostrar o mesmo futebol que apresentou contra os times que se fecham. Problemas à vista para o Brasil, resta saber se vai caber a Dunga resolve-los.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Atlético líder e Cruzeiro 7 vezes: em 2004.

Faz cinco anos que o Atlético terminou o campeonato mineiro na primeira colocação pela última vez. Ficou um ponto a frente do América e dois do Cruzeiro. Enfrentou a Caldense nas semifinais (venceu por 6x1 em dois jogos) enquanto o Cruzeiro pegou o América. Na decisão, vitória da Raposa por 3 a 2 no placar agregado.

Também em 2004, o Cruzeiro marcou, pela última vez, sete gols em uma partida (o último 7x0 foi contra o Bahia pelo brasileiro de 2003): 7x1 contra o Mamoré, em Patos de Minas. O jogo marcou a última vitória de Luxemburgo e Rivaldo no Cruzeiro. Na partida seguinte, empate com o Uberaba por 0 a 0 no Mineirão e dois dias depois a crise que abalou o grupo. Errata: foi a última vez que o Cruzeiro fez 7 gols pelo Mineiro. Em 2005 o Cruzeiro marcou sete gols contra Baraúnas e Sergipe.

Confira a classificação do campeonato mineiro de 2004 e a ficha técnica de Mamoré x Cruzeiro.


MAMORÉ 1 x 7 CRUZEIRO

Motivo: 6ª rodada do Campeonato Mineiro
Data: 21/2/2004
Local: Estádio Waldomiro Pereira, em Patos de Minas (MG)
Público: 4.419 pagantes
Renda: não divulgada
Árbitro: Sérgio Luiz Avelino
Gols: Rivaldo, aos 36 min, Alex, aos 39 min do primeiro tempo; Wendell, aos 12 min, Rivaldo aos 17 min, Lima, aos 28 min, Edmílson, aos 34 min, Alex, aos 35 e aos 41 min, do segundo tempo.

Mamoré
Paulo Sérgio; Da Silva, Mauro, Érlon e Paulo Magno (Rezende); Róbson, Tarcísio, Pael (Ranon) e Daniel, Edmílson e William César.
Técnico: Pery Luxemburgo

Cruzeiro
Gomes, Maurinho, Cris (Marcelo Batatais), Edu Dracena e Sandro; Maldonado (Martinez), Recife, Wendell e Alex; Rivaldo e Guilherme (Lima).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Cartões amarelos: Mauro (Mamoré); Cris, Maldonado, Lima (Cruzeiro)

O Atlético de Júnior e o Cruzeiro de Bernardo.

Por motivos distintos é difícil analisar o futebol de Atlético e Cruzeiro na última rodada do campeonato mineiro. O Galo tentou jogar em um campo apertado e pesado, praticamente impossibilitando que os jogadores mostrassem qualquer coisa além de vontade. No jogo do Mineirão, o time de Adilson Batitsta encontrou um adversário que, além da fraqueza habitual das equipes do interior de Minas, ainda se mostrou desmotivado e desconcentrado.

O que se pode tirar de bom dos jogos das duas últimas rodadas foram as boas apresentações de Júnior e Bernardo. O atleticano mostra que é uma importante arma ofensiva, tem qualidade de lançar, fazer cruzamentos e tem aparecido também fazendo gols, mostrando que pode ser uma peça interessante como elemento surpresa, como foi no gol de empate contra o Ituiutaba em uma jogada que já havia acontecido anteriormente. A qualidade conhecida do lateral tem sido aliada a um bom preparo físico e eficiente sistema de cobertura.

Bernardo mostrou personalidade, driblou, chamou o jogo, esteve à vontade e participou de quatro gols: deu duas assistências e sofreu dois penaltis. Apareceu melhor que Gérson Magrão e Camilo, as outras alternativas para a armação na ausência de Wagner.

Faltam ainda testes mais difíceis tanto para Bernardo provar que pode ser um grande jogador, quanto para Júnior mostrar que ainda pode jogar de forma competitiva. Um com 18 e outro com 35 anos, os dois parecem no caminho certo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Campeonato mineiro: a cada três torcedores, dois pagam a conta.

Os números estão no site da Federação Mineira de Futebol para quem quiser ver. No meio de tantas acusações feitas por Alexandre Kalil depois do jogo contra o Cruzeiro, uma passou quase desapercebida: o Atlético ficou com menos de 800 reais de uma renda bruta de 61.830,00 no jogo contra o Uberaba.

São tantas contas que as equipes têm que pagar em cada partida que elas chegam a ser divididas em três categorias. As equipes do interior, muitas vezes, têm prejuízo em todos os jogos como mandantes na primeira fase, exceto quando enfrentam Atlético e Cruzeiro. A renda "salva" o campeonato inteiro.

O Social, por exemplo, teve um prejuízo de 20 mil ao longo do torneio, mas o jogo que fez contra o Atlético na segunda rodada, possibilitou ao time de Fabriciano terminar com um lucro de mais de 28 mil.

As contas mais caras são de 10% da renda bruta que vai para a Federação, cerca de 6% de remuneração do quadro móvel (depende do número de pessoas destinadas pelo clube a trabalhar no jogo) 5% de INSS e, eventualmente, uma porcentagem da renda é penhorada para pagar dívidas. No caso do Atlético, 15% da renda líquida, o que resta depois de pagas todas as despesas.A média, entre as equipes, é de 30 a 40% da renda total ficar para o clube mandante, como lucro.
Confira abaixo, o público, a média de público, o total da renda, o lucro e a porcentagem que restou para cada equipe nas 10 rodadas disputadas do campeonato.

AMÉRICA: público: 4.121 (1374)
Renda: 32.045,00
Lucro:110.652,97 (345%)
no caso do América, a renda dos clássicos é dividida, apesar de Cruzeiro e Atlético contarem com praticamente 90% do público no estádio. A renda corresponde só aos jogos no Independência.

ATLÉTICO: público: 163.157 (26.945)
Renda: 2.091.741,50
Lucro: 598.650,85 (29%)

CRUZEIRO: público: 104.386 (17.398)
Renda: 1.777.886,50
Lucro: 798.466,69 (45%)
O Cruzeiro tem o ingresso, em média, mais caro entre os 12 times e teve um lucro considerável no clássico contra o Atlético por ter vencido ficou com 20% a mais da renda.

DEMOCRATA: público: 17.552 (3510)
Renda: 184.557,50
Lucro: Zero (tem as rendas penhoradas, segundo a Federação)

GUARANI: público: 10.826 (2.057)
Renda: 135.557,50
Lucro: 43.770,43 (32%)

ITUIUTABA: público: 5.768 (1.154)

Renda: 42.897,00
Lucro: -28.699,94
O Ituiutaba ainda tem o jogo de hoje contra o Atlético para não terminar no vermelho.

RIO BRANCO: público: 12.475 (2.495)
Renda:128.155,00
Lucro: 45.046,54 (35%)

SOCIAL: público: 8.845 (1.769)
Renda: 99.245,00
Lucro: 28.239,25 (28%)

TUPI: público: 13.669 (2.734)
Renda: 23.407,50
Lucro: 8001,54 (34%)

UBERABA: público: 25.622 (4.270)
Renda: 204.526,00
Lucro: 62.577,38 (31%)

UBERLÂNDIA: público: 31.233 (6.247)
Renda: 389.436,00
Lucro: 143.896,52 (37%)

VILA NOVA: público: 5.660 (1.132)
Renda: 54.015,00
Lucro: -15. 989,72 Teve um prejuízo de 30% do total da renda que arrecadou. Ainda falta o jogo contra o Social.

O declínio de Ramires é a ascensão física dos adversários

Ramires não está em má fase e nem acho que venha jogando mal. O que está acontecendo com o camisa 8 do Cruzeiro é que os adversários enfim estão chegando em um ponto competitivo do ponto-de-vista físico, fator que incomoda menos a Ramires no início da temporada.

A cerca de um mês e meio, no post "O melhor do Brasil" eu já havia alertado para o equilíbrio de forças que aconteceria quando os outros jogadores estivessem com melhor condicionamento físico. A grande virtude de Ramires é a vitalidade e ele a usa muito bem no início do ano.

Em 2008, o meio campista foi o terceiro artilheiro do Cruzeiro com 15 gols marcados, seis deles até o mês de abril. Ramires continua sendo um jogador dificílimo de marcar por estar em todas as partes do campo, mas agora, os adversários conseguem, pelo menos, acompanhá-lo.

Campeões brasileiros?

Quem ganha com o pedido de reconhecimento do título brasileiro os que conquistaram a Taça Brasil e o Robertão? Na minha opinião, ninguém. Nem mesmo os clubes que fizeram o requerimento e por uma razão muito simples: título é algo que deve ser comemorado. A torcida do Santos vibrará mais com o título paulista do que se acordar um dia com cinco brasileiros a mais, o mesmo serve para os outros.
A começar pelo fato da Taça Brasil ter sido disputada em condições semelhantes a Copa do Brasil o processo não faz sentido algum. É melhor para a história das entidades ter em seu currículo títulos importantes e legítimos na década de 60 do que ter conquistadas vistas com más olhos por grande parte dos próprios torcedores.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O incrível Barcelona.

São 28 rodadas disputadas do campeonato espanhol e mais impressionante que os 69 pontos conquistados e 82% de aproveitamento são os 84 gols que fez e os 24 que sofreu. Somente o saldo de gols do Barcelona, 60, é o suficiente para ser o segundo melhor ataque da competição, ficando seis gols apenas atrás do total que marcou o Real Madrid.

Depois de conseguir um ponto nas duas primeiras rodadas, o time catalão voltou a tropeçar na 12ª, venceu as 10 rodadas seguintes até vir o pior momento na temporada quando empatou com o Bétis e perdeu para Espanyol e Atlético de Madri. E foi só. A diferença para o Real só não é superior a seis pontos porque a equipe da capital também vem em boa fase, venceu 13 dos últimos 14 jogos.

O Barça joga com três atacantes, dois meias e um lateral que apóia muito ao ataque. São seis jogadores com possibilidades de definir um lance. Henry aberto pela esquerda, Messi pela direita e Eto’o no centro. Do meio vêm Xavi, em sua melhor fase na carreira, e Iniesta. Auxiliando Messi, Dani Alves. Yaya Touré, Abdial, Puyol e Cáceres (ora joga Rafa Marques ou Pique) praticamente só defendem. Dos 84 gols, média de três por partida, 54 foram marcados por Eto'o, 25, Messi, 19, e Henry, 15. Como comparação, o artilheiro do Real Madrid, é Higuaín, que marcou o mesmo número de vezes que Henry.

O Barcelona tem ainda a melhor defesa da competição, com média inferior a um gol sofrido por partida, e pode-se usar o chavão “o ataque é a melhor defesa”. Os adversários ficam espremidos no campo de defesa e não têm forças para pressionar a equipe azul grená.

Em um campeonato de nível técnico inferior ao da Inglaterra, por exemplo, o Barcelona dá show. É esperar o confronto com o Bayern e depois os ingleses pela Liga dos Campeões para conferir se o esquema funciona também contra os maiores do continente. Se for pra apostar, eu aposto que sim.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O ingresso caro mais barato do Brasil.

Torcedores que não têm condições ou que admitem o boicote. Seja qual for a razão, o público pequeno do Cruzeiro no campeonato mineiro se alastrou para a Libertadores. Menos de 15 mil pessoas pagaram para assistir ao jogo contra o Universitário de Sucre. A reclamação da torcida é o preço dos ingressos, muito elevado no entendimento deles.

Ver os jogos da Raposa no Mineirão pode até ser caro, mas é o mais barato em jogos da Libertadores, entre os clubes brasileiros. Confira o valor cobrado nas primeiras rodadas da competição:

Sport x LDU: variação entre 50 e 180 reais.

Palmeiras x Colo Colo: variação entre 40 e 120 reais.

Grêmio x Universidade do Chile: variação entre 40 e 100 reais.

São Paulo x Independiente Medellín: variação entre 40 e 80 reais.

Cruzeiro x Estudiantes e Universitário de Sucre: variação entre 10 e 60 reais.

Esses valores correspondem aos preços cobrados nas bilheterias. Assistir futebol no estádio está mais caro, mas os clubes se organizaram, é bom que aqueles que não querem ver o jogo pela TV façam o mesmo para ter o custo reduzido. As cinco agremiações têm programas de fidelização para o torcedor pagar mais barato, até a metade, em qualquer setor.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Júnior Carioca: o problema não é indicação, é função.

Júnior Carioca vai ser titular do Atlético contra o Villa Nova, no final de semana. A partida dificilmente vai fazer o volante ganhar a posição de Renan, suspenso. A fragilidade do adversário que vai poupar vários jogadores não deve representar um teste importante para o jogador, preferido pela torcida.

A opção do técnico Emerson Leão por escalar Renan não vem da indicação ou não que o ex-são paulino teve do treinador, o que não aconteceu com seu concorrente. Renan marca melhor do que Júnior Carioca e é mais eficiente na cobertura dos laterais, principalmente do lado esquerdo.

Contra Peñarol e América, Leão optou por Thiago Feltri e Júnior Carioca. Thiago marca bem, mas a saída de bola e armação do Atlético não é tão boa, por isso precisava de alguém no meio para fazer o time jogar, daí a importância de ter Júnior Carioca na equipe. A partir do jogo contra o Tupi, entraram Júnior e Renan. Júnior é uma arma ofensiva bem mais forte do que Thiago Feltri. Cruza bem, lança, cadencia ou acelera o jogo, de acordo com a necessidade. Com o pentacampeão como titular, a equipe precisa mais de um marcador do que de um volante que tenha boa saída e daí a poção por Renan.

A dupla Júnior e Renan funciona melhor que Thiago e Júnior Carioca, mas os quatro são alternativas interessantes para Leão, levando-se em conta que o campeonato brasileiro tem 38 rodadas e os reservas têm papel fundamental no resultado final da equipe na competição.