quinta-feira, 30 de abril de 2009

A outra cara do Atlético em 180 minutos.

Do céu ao inferno em 180 minutos. Neste blog não. Na boa fase do Atlético, quando o time venceu 10 jogos seguidos e sofreu três gols, sempre se falou em calma e necessidade de observar à equipe em testes mais efetivos. O Galo dava pistas que estava no caminho certo, assim como dá sinais claros que precisa de ajustes.

Da mesma maneira que não considerava correto julgar o grupo formado por Emerson Leão apenas com os parâmetros do campeonato mineiro, é cedo fazer uma análise com base em dois resultados.

O Atlético mostrou deficiência no jogo aéreo? Sim. De cabeça foram sofridos cinco dos últimos oito gols. O que não pode se ignorar é que até o clássico de domingo, o alvinegro só havia sofrido um gol de cabeça na temporada, na partida diante o Tupi.

Assim como estava claro que Éder e Tardelli formam uma boa dupla, fica evidente que se Júnior for ser o lateral, alguém precisa fazer permanentemente sua cobertura. O time precisa ser mais rápido, desde a defesa para acompanhar os adversários até a saída de bola. A necessidade de mudança só aparece quando a falha é notória.

É cedo para crucificar e dizer que tudo foi por água abaixo. O Atlético não conseguiu, ainda, montar um time para encarar o Cruzeiro e vencer uma Copa do Brasil. Não perceber os defeitos da equipe antes custou dois torneios ao clube.

Reformulação demanda tempo e paciência. Vamos ver se Emerson Leão, Alexandre Kalil e a torcida vão conseguir esperar.

Que se cuidem os outros: o Palmeiras chegou.

O Palmeiras mostrou na primeira fase da Libertadores o que nenhum dos favoritos precisou até aqui: poder de superação. O time de Luxemburgo juntou de tudo um pouco para reverter a adversidade de duas derrotas nas primeiras rodadas.

Bom futebol contra o Sport em Recife, quando jogou em velocidade. Teve equilíbrio contra a LDU, em um jogo tenso no Parque Antarctica.

Contra o Colo Colo, no Chile, apresentou um bom primeiro tempo, não se intimidando em jogar como visitante, colocando duas bolas na trave dos chilenos, inclusive. Mostrou toda raça e vontade de um time comprometido com a competição quando perdeu Marcão, expulso. Terminou se garantindo na próxima fase com o talento individual de Claiton Xavier. Qualidade que não falta à equipe de Keirrison, Diego Souza, Claiton Xavier e Willians.

A classificação foi justa. O Palmeiras já comeu o pão que o diabo amassou na Libertadores. Passou. Agora entra em pé de igualdade com todos. Igualdade em termos, porque o time aprendeu e amadureceu. Está mais forte para o mata-mata.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Grande resultado, como time pequeno.

O Chelsea parou o Barcelona. Para isso, o técnico Guus Hiddink, que normalmente arma suas equipes visando ter sempre a posse de bola e jogar ofensivamente, colocou 10 jogadores da intermediária defensiva para trás. Jogou, sem sentir vergonha disso, como time pequeno. Drogba foi solitário no ataque o tempo inteiro.

Eto’o, Messi e Henry não podiam dominar uma bola sozinhos. Pior, nunca dominavam nem no mano a mano. Xavi e Iniesta tinham raros espaços para armar, mas com os homens de frente absolutamente bloqueados, o time espanhol não teve penetração. Ou pelo menos, a penetração habitual do time que já marcou mais de 150 gols na temporada 2008/09. Foram 20 finalizações do Barcelona e três do rival. 65% de posse de bola dos donos da casa e apenas 35% dos visitantes.

Mesmo dificultando tanto o trabalho do time de Pep Guardiola, o goleiro Peter Cech, do Chelsea, foi o melhor jogador da partida. Os torcedores dos Blues podem comemorar o empate, mas é bom lembrar que dos 54 jogos que fez na temporada, apenas em quatro o Barça não fez gols.

Para chegar à segunda decisão seguida, o Chelsea deve precisar de pelo menos dois gols em Londres. O Barcelona ainda é favorito.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A diferença entre teoria e prática.

Chamar a responsabilidade e tirar o foco dos jogadores e da comissão técnica pode ser uma boa saída de Alexandre Kalil. O que se deve ter claro é a diferença entre teoria e prática. Na teoria, o presidente afastado faz o certo em se considerar culpado pela derrota por 5 a 0. Na prática é diferente.

Ouvi o que disse o dirigente na Rádio Itatiaia e na Rede Minas. Li a entrevista no blog do PVC. O discurso é o mesmo na segunda-feira pela manha do que foi no domingo minutos depois do jogo.

Na prática, Kalil não é o único culpado, o Atlético não jogou também com meio time reserva como foi dito ao comentarista da ESPN. Dos que vinham jogando o Estadual, apenas Éder Luís ficou de fora.

O presidente do Atlético disse ainda: “Os que jogaram ano passado, que estavam acostumados a perder do Cruzeiro, arrumar a mala e ir para casa, não estavam jogando, mas jogaram ontem”. Dos que participaram da goleada ano passado e estiveram também na de ontem estão Juninho, Marcos, Leandro Almeida, Rafael Miranda e Márcio Araújo (que saiu quando o jogo estava 1 a 0). Apenas Rafael Miranda não vinha sendo utilizado como titular. A goleada se deu pela escalação do volante?

Por mais que Alexandre Kalil tenha o discurso ensaiado sobre o culpado, é papel de presidente saber dividir responsabilidades.

domingo, 26 de abril de 2009

Resultados iguais, jogos diferentes.

Amanhã faz um ano que o Cruzeiro conseguiu sua maior vitória sobre o Atlético. Por mais que o resultado de hoje tenha sido o mesmo, o jogo foi completamente diferente. O que não pode ser desprezado é que Emerson Leão falhou.

O Atlético entrou bloqueando o Cruzeiro pelos lados. Três zagueiros, Marcio Araujo auxiliando Welrley e puxando contra-ataques, Carlos Alberto ajudando Marcos na caça a Thiago Ribeiro. Júnior marcava Jonathan antes do cruzeirense receber a bola. Renan e Rafael Miranda em cima de Ramires e Wagner. Diego Tardelli e Lopes atrapalhavam os volantes a sair jogando. Pronto.

Leão cercou o Cruzeiro e parecia que o bote estava pronto para ser dado a qualquer momento. Não aconteceu porque a saída para o ataque não era tão rápida quanto o desejado.

Com a saída de Araújo e a entrada de Kleber do lado alvinegro, Adilson soltou Wagner para virar atacante pela esquerda (como foi ventilado na sexta-feira neste blog), Magrão vinha com liberdade e o Cruzeiro conseguiu rodar a bola. Erro mortal. Ainda que Leão considere os gols de cabeça atenuantes, o Cruzeiro já havia dominado o jogo e reduzido o Galo apenas à marcação.

Depois de 3 a 0, sobrou espaço para sair em velocidade. Poderia ter sido mais. Se Leão quisesse deixar o time mais ofensivo, poderia ter entrado com Marcos Rocha e recuado um dos volantes para cobrir suas saídas e optado por um jogador com mais movimentação do que Lopes para ajudar a ligar defesa e ataque. Fabiano poderia ser útil na partida de hoje, mas por opção do técnico, ao que se sabe, ainda não jogou e não tem ritmo de jogo.

Os 5 a 0 de 2008 tiveram grande responsabilidade de Adilson e da forma que anulou as peças do rival. O placar de 2009 tem responsabilidade de Leão e a falta de atitude para saber as melhores alternativas que o Atlético pode ter.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Júnior é o armador.

É mera aposta. Assim como alguns repórteres que cobrem o Atlético, acredito que Leão possa escalar o time com mais um homem no meio-campo.

Ontem, cogitei aqui no blog a possibilidade de Rafael Miranda ganhar a vaga de Márcio Araújo e Leão escalar um outro atacante no lugar de Éder Luís. É uma das alternativas. A outra é o substituto de Éder ser o próprio Miranda, com Lopes sendo deslocado para o ataque.

No jogo da 1ª fase, Renan recuou para a lateral para marcar Thiago Ribeiro e liberou Júnior para jogar em cima de Jancarlos. Só não deu certo porque Soares passou por Renan e marcou um dos gols, mas a ideia era boa.

Se Leão optar por mais um volante, Júnior fica liberado para armar e ora Lopes, ora Tardelli recua para buscar jogo. Se o substituto de Éder for outro homem de frente, Chiquinho é a melhor escolha. Não pela qualidade, mas pela característica.

Segue abaixo um panorama tático de como fica o clássico.


As invenções que dão certo.

Campeonato mineiro 2008: 0 a 0 - Adilson colocou o time considerado titular em campo. Jadilson e Espinoza levaram um baile de Danilinho e o 0 a 0 ficou de bom tamanho.

Final do Mineiro – o treinador colocou Marquinhos Paraná em Danilinho, Henrique seguindo Marques, uma linha de quatro no meio com Charles pela direita, Jadilson na esquerda, Ramires e Wagner completando o meio campo. Na partida seguinte, praticamente a mesma tática, com direito a poupar jogadores para a partida diante o Boca Jrs.

Brasileiro, 1º turno: 2 a 1 – mais uma vez M. Paraná se encarregou de anular Danilinho. Sem Guilherme, com amidalite, Adilson escalou o ataque com Fabinho e Weldon, para explorar a velocidade. O treinador considera Marcos e Leandro Almeida lentos. Não deu certo pelo número de gols perdidos no primeiro tempo.

Brasileiro, 2º turno: 2 a 0 – Wagner voltava de contusão e Jadilson estava fora, Fernandinho vinha sendo o lateral. Adilson optou por Carlinhos na esquerda e Fernandinho no meio. O camisa 10 fez seu melhor jogo pelo Cruzeiro e, não fosse pela atuação de Juninho, o Atlético sofreria outra goleada histórica.

Mineiro, 2009: - 2 a 1 – O Cruzeiro poupou titulares para o confronto com o Estudiantes no meio da semana. Fernandinho foi meia mais uma vez e a dupla de ataque foi formada por Thiago Ribeiro e Soares, novamente apostando na velocidade. Soares provocou o cartão vermelho de Welton Felipe e marcou um gol, no espaço deixado por Júnior.

Fica claro, pelo histórico, a preocupação do técnico em explorar a velocidade e usar um jogador específico para anular as principais armas do rival. Por isso, aposto em Thiago Ribeiro desde o início e Wagner atuando como atacante pela esquerda. Marquinhos Paraná deve fazer papel de terceiro zagueiro, marcando Diego Tardelli.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Rafael Miranda pode ter ganhado a posição.

Um primeiro tempo turbulento com Édson aparecendo bem duas vezes e em outras duas os atacantes do Guaratinguetá finalizando com perigo. Nos 45 minutos finais, nenhum lance que assustasse.

O que mudou defensivamente? Com Alessandro em campo, no lugar de Lopes, o Atlético ganhou em poder de pressionar a saída de bola do adversário, mas o principal foi a entrada de Rafael Miranda. O volante se fixou entre os zagueiros, impediu a saída rápida de Nenê pelo meio e Júnior teve mais liberdade para armar.

O ataque do Guaratinguetá, com Guaru bem aberto, Wellington Amorim centralizado, mas saindo da área para abrir espaços, Nenê e Magal vindo de trás, inexistiu. A semelhança da maneira de jogar entre a equipe paulista e o Cruzeiro é grande. A diferença de postura do Atlético do primeiro, para o segundo tempo, também.

Talvez sem ter essa intenção, Leão pode ter encontrado uma solução tática para frear o ataque do rival no domingo. Rafael Miranda pode ser titular, agora falta achar o substituto de Éder Luís.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Poder de reação x mau futebol.

Nos três jogos que fez em casa pela Libertadores, o São Paulo saiu perdendo. Contra o Independiente Medellín, Borges empatou a partida aos 47 do segundo tempo. No confronto com o Defensor, o time paulista perdia até os 25 do segundo tempo até que Borges marcou duas vezes em quatro minutos e garantiu a vitória. Na noite desta quarta-feira foi a vez de Dagoberto ser o salvador. O Tricolor perdia e o camisa 25 marcou aos 12 e 21 minutos da etapa final.

A questão que fica é se o São Paulo é um time que vem jogando mal e a qualquer momento vai sucumbir ou prova o poder de recuperação de um time que tem força para chegar?

A resposta óbvia é: as duas coisas. O que deve ser levado em conta é que quando enfrentar um adversário mais forte a equipe de Muricy pode sucumbir e não ter forças para buscar o resultado, como aconteceu contra o Corinthians.

O Cruzeiro de Wagner é bem melhor.

Com Wagner bem o Cruzeiro é outro. Contra o Deportivo Quito foi assim mais uma vez. O camisa 10 chamou o jogo, armou, lançou, driblou e foi, de fato, meia armador. Quando enfrenta defesas muito fechadas, Wagner vai para a esquerda, vira terceiro atacante e a equipe tende a ser mais rápida e menos criativa.

A primeira grande atuação na temporada corresponde com o que o próprio jogador acreditava na semana passada: ao ser questionado se o jejum de gols o incomodava (ainda não havia marcado em 2009) ele respondeu que o mais importante, para sua função, era dar assistências aos atacantes e lembrou que em 2006 marcou seu primeiro gol no ano contra o Atlético nas semifinais do Mineiro.

Depois daquele gol Wagner garantiu o título contra o Ipatinga e foi artilheiro do Cruzeiro no campeonato brasileiro com 11 gols, sua melhor marca no torneio nacional. Se jogar no restante do ano da maneira que atuou esta noite supera a melhor temporada de sua carreira.