quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Brasil trava no primeiro teste e Argentina quebra tabu de cinco anos

Foi para a Argentina, a primeira derrota de Mano Menezes a frente da seleção. O gol de Messi quebra um jejum de cinco jogos e também cinco anos sem vitória argentina sobre o time brasileiro. A última, por 3 a 1 em junho de 2005, no Monumental de Nuñez pelas Eliminatórias da Copa da Alemanha.

O Brasil começou o jogo com a iniciativa. Daniel Alves em velocidade pela direita e André Santos pela esquerda. Ambos, sempre em diagonal. Sem centroavante, cabia à seleção jogar com a bola no chão e foi o que tentou fazer. Ronaldinho Gaúcho, centralizado, participava pouco, mas distribuía bem o jogo. O antídoto argentino era com Messi e Pastore, nas costas de Elias e Ramires. Batista tentava fazer a equipe funcionar com passes curtos, como Barcelona. Para Messi, ser o Messi da Espanha. Para isso, no entanto, faltava marcar pressão, ter laterais bem-avançados e encurralar o adversário. Sem nada disso, a pressão começava, mas morria a frente da área.

No segundo tempo o Brasil apertou a saída de bola, marcou a frente e foi bem. Pastore e Messi recebiam a bola já quebrada e não rendiam. Lavezzi, aberto no setor de André Santos, era a principal alternativa e evidenciou o problema de marcação pelo lado esquerdo da defesa brasileira. A seleção roubava a bola no campo de ataque, mas com Mascherano não dando espaços a Ronaldinho, não havia criação.

O jogo era administrado até Douglas perder a bola do jogo no meio do campo. Fatal para Messi marcar pela primeira vez, na seleção principal, contra o Brasil. Em renovação tanto Brasil quanto Argentina tinham o principal teste pós-Copa. Mano Menezes mudou mais sua equipe, em relação a que disputou o mundial. Na Argentina, os jovens já haviam sido inseridos para a disputa na África do Sul. Higuaín, Di Maria, Romero estiveram na Copa. O Brasil demora mais para se armar com Neymar, David Luís, Lucas e Elias.

Em um jogo de tantas semelhanças, fez a diferença o talento de um jogador decisivo que hoje o Brasil não tem.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Não há "apito amigo", mas Corinthians foi o mais beneficiado na disputa pelo título

A polêmica acerca do lance de Gil sobre Ronaldo e o pênalti marcado por Sandro Meira Ricci reabriu a discussão sobre o suposto “apito amigo” a favor do Corinthians. Quero acreditar que não há. Zezé Perrella pode me fazer pensar diferente. Depois de falar em esquema, bandidagem, compra de árbitro, etc. O presidente do Cruzeiro tem em mãos a possibilidade de moralizar o futebol brasileiro. Com 17 anos como dirigente, já viu tudo. Se viu que fal. Se não falar é porque não há nenhum esquema e podemos entender que os erros são frutos do despreparo da arbitragem e nada mais.

Parto do ponto que Zezé não falará nada. Acredito, então, na má qualificação dos árbitros. Sem esquema, mas com erros que beneficiaram o Corinthians. Foram, ao meu entender, nove jogos em que o time paulista foi beneficiado, contra quatro em que o trio de arbitragem errou e lhe prejudicou. O Fluminense foi beneficiado em dois jogos e prejudicado em outros dois. O Cruzeiro teve cinco jogos em que a arbitragem lhe favoreceu e em outros seis foi prejudicado.

A conta não é matemática. É subjetiva. Você leitor, pode ou não concordar, sem problemas. O que está aqui é apenas opinião.

Confira os jogos em que os três postulantes ao título contaram com interferência da arbitragem. Em negrito, os jogos em que houve erro a favor.

Corinhtians:

- 2x1 Atlético-PR (1ª rodada) – Marcelo de Lima Henrique marcou pênalti inexistente em Souza e Ronaldo marcou o gol da vitória, aos 38 minutos do 2º tempo.
- 1x0 Fluminense (3ª rodada) – o auxiliar Marcelo Bertanha Barison marcou impedimento em Fred que sofreu pênalti de Felipe. O jogo estava 1 a 0 para o Corinthians.
- 1x1 Palmeiras (12ª rodada) – Jorge Henrique, em impedimento, abriu o placar. Ednilson Corona validou o lance.
- Avaí 3x2 (14ª rodada) – Péricles Bassols não marcou pênalti em Jorge Henrique quando o jogo estava 2 a 1 para o Avaí.
- Cruzeiro 1x0 (16ª rodada) – Sandro Meira Ricci marcou pênalti de Everton que toca, involuntariamente, o braço na bola. Fábio defende.
2x1 Vitória (17ª rodada) – Célio Amorim não marcou pênalti sobre Henrique quando o jogo estava 0 a 0.
- Atlético-PR 1x1 (20ª rodada) – Jailson Macedo Freitas marcou pênalti irregular para as duas equipes.
- Santos 2x3 (24ª rodada) – Carlos Berckenbrock não marcou impedimento de Danilo no gol de Paulo André. O terceiro.
- 1x1 Botafogo (26ª rodada) – Alessandro Rocha Mattos invalidou gol legal de Herrera quando o jogo estava 1 a 1.
- Vasco 2x0 (18ª rodada) – Roberto Braatz não marcou impedimento no 1º gol vascaíno.
- Guarani 0x0 (30ª rodada) – Ednilson Corona anulou gol legal de Ronaldo, assinalando impedimento.
- 1x0 Cruzeiro (35ª rodada) – Alessandro Rocha Mattos marcou dois impedimentos inexistentes no primeiro tempo. Sandro Meira Ricci marcou pênalti inexistente de Gil sobre Ronaldo.

Fluminense:

- Ceará 1x0 (1ª rodada) – Paulo César de Oliveira marcou pênalti inexistente, expulso Cássio e ainda mandou voltar a cobrança.
- Corinthians 1x0 (3ª rodada) – o auxiliar Marcelo Bertanha Barison marcou impedimento em Fred que sofreu pênalti de Felipe. O jogo estava 1 a 0 para o Corinthians.
- Atlético-PR 2x2 (31ª rodada) – Wilson Luís Seneme não deu pênalti em Guerrón quando o jogo estava 2x1.
- 2x0 Grêmio(32ª rodada) – Héber Roberto Lopes não marcou pênalti em Jonas. O Fluminense vencia por 1 a 0.

Cruzeiro:

- Internacional 1x2 (1ª rodada) – Wilson Luís Seneme marcou pênalti, inexistente, para o Cruzeiro quando a partida estava 0 a 0. Vicente Romano Neto assinalou dois impedimentos prejudicando ataques perigosos do Inter.
- 2x2 Avaí (2ª rodada) – José Antônio Chaves marcou impedimento, anulando gol de Henrique quando o jogo estava 2 a 2.
- Guarani 2x2 (3ª rodada) – Júlio César Rodrigues dos Santos assinalou impedimento do atacante Roger, aos 42’ do segundo tempo, anulando o 3º gol do Guarani.
- 2x2 Grêmio (11ª rodada) – primeiro gol do Grêmio sai de falta lateral que deveria ser um arremesso lateral e Marcelo de Lima Henrique deixou seguir.
- 1x0 Internacional (20ª rodada) – Nielson Nogueira Dias deixou de marcar pênalti de Gil em Leandro Damião quando o Cruzeiro vencia por 1 a 0.
- 2x0 Ceará (24ª rodada) – Cleriston Clay Barreto apontou impedimento, inexistente, de Marcelo Nicácio aos 42’ do segundo tempo, quando o Cruzeiro vencia por 1 a 0.
- Santos 4x1 (25ª rodada) – Ricardo de Almeida deu impedimento que não foi de Farias, anulando o gol de Farías. O jogo estava 0 a 0.
- Grêmio 2x1 (30ª rodada) – Fabrício Vilarinho da Silva marcou impedimento invalidando o gol de Wellington Paulista. O jogo estava 1 a 1.
- 3x4 Atlético-MG (31ª rodada) – Sandro Meira Ricci deu pênalti de Werley sobre Edcarlos após agarra-agarra na grande área.
- 0x2 São Paulo (33ª rodada) – Nielson Nogueira Dias marcou pênalti inexistente sobre Ricardo Oliveira. O São Paulo vencia por 1 a 0.
- Corinthians 1x0 (35ª rodada) – Alessandro Rocha Mattos marcou dois impedimentos inexistentes no primeiro tempo. Sandro Meira Ricci marcou pênalti inexistente de Gil sobre Ronaldo.

domingo, 14 de novembro de 2010

Houve erro, mas também houve jogo no Pacaembu

Houve jogo no Pacaembu. E foi um grande jogo. A arbitragem de Sandro Meira Ricci foi ruim. Errou a marcação de impedimentos contra o Cruzeiro, não deu falta clara sobre Thiago Ribeiro a um passo da grande área e marcou um pênalti inexistente sobre Ronaldo aos 40 minutos do segundo tempo. Há o choque de Gil e Ronaldo. Choque não é sinal de pênalti.

Ao jogo:

O time de Cuca marcava individualmente. Gil em Dentinho, Léo em Ronaldo, Jonathan em Jucilei, Fabrício em Elias, Henrique pegava Bruno César e Gilberto vigiava Alessandro. Thiago acompanharia Roberto Carlos que não atacou, assim como Ralf que tinha a atenção de Montillo. Assim o Cruzeiro bloqueou o Corinthians. Desarmava bem e tinha a bola para contra-atacar como Tite menos queria: com a defesa, muito lenta, exposta. Montillo abria pelos lados do campo e abria espaço para Fabrício e Jonathan chegarem em velocidade.

Duas finalizações para cada lado no primeiro tempo. Quatro corintianas e duas cruzeirenses no segundo. O Cruzeiro foi melhor. Teve duas chances cara-a-cara. Júlio César não cometeu pênalti em Thiago Ribeiro e salvou o chute de Wellington Paulista. O time mineiro crescia à medida que o Corinthians tentava sair mais. Faltava acertar o tempo para fugir da linha de impedimento. Fabrício parou Elias e ainda saiu para jogar. Lançou, finalizou, arrancou em velocidade. Melhor em campo.

O Cruzeiro foi melhor que o Corinthians. A ter um vencedor, em uma partida tão equilibrada, ele deveria ser azul. Fez a diferença os erros da arbitragem. O Corinthians briga para ser campeão e isso não se dá pelo erro de Sandro Meira Ricci. São 63 pontos conquistados.

Ao final do jogo, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, e o técnico Cuca, sugeriram “armação” pró-Corinthians. O presidente, mais exaltado, chegou a falar em bandidagem de Sérgio Côrrea e “operação” do arbitro.. Zezé é dirigente do clube há 17 anos. Já viu de tudo no futebol. Se ele sabe de algum esquema, se sabe que há operação e bandidagem que fale. Que ajude o futebol brasileiro. Suposições de dúvidas e sugestões de falta de honestidade todos já viram. O campeonato brasileiro de 2010 pode servir para esclarecer as coisas. Se Zezé souber, que fale.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cruzeiro e Corinthians mantêm as bases, mas o jogo será outro um ano depois

Corinthians e Cruzeiro se enfrentaram pela 31ª rodada do campeonato brasileiro de 2009, no dia 25 de outubro. O jogo no Pacaembu foi vencido pelo Cruzeiro por 1 a 0 – gol de Gilberto aos 40 minutos do primeiro tempo. Dos 22 jogadores que começaram a partida naquela tarde de domingo, 15 estarão em campo amanhã. O Corinthians repetirá sete jogadores, o Cruzeiro oito. A base das equipes é a mesma, o jogo é outro.

Do time de Mano Menezes, Tite escala Alessandro, Chicão, Willian, Jucilei, Elias, Dentinho e Ronaldo. Júlio César assumiu o posto de Felipe, Ralf, Roberto Carlos e Bruno César foram contratados na temporada. A exceção do goleiro, as outras três peças chegaram para suprir as saídas de André Santos, Christian e Douglas.

Do outro lado, Cuca conta com Fábio, Jonathan, Gil, Fabrício, Henrique, Marquinhos Paraná, Gilberto e Thiago Ribeiro. Em 2009, Caçapa, Diego Renan e Guerrón foram os outros titulares. Wellington Paulista, que joga no amanhã, estava lesionado no ano passado.  Hoje, Caçapa é quem não pode atuar por lesão e Diego Renan era titular até a última rodada. Não fosse pelos desencontros, a única mudança poderia ser a entrada de Montillo no time – além da troca de treinador.

Os nomes são praticamente os mesmos, mas as coincidências do confronto acabam por aí. O Corinthians foi o 12º melhor mandante do último campeonato, com 32 pontos ganhos em casa. Hoje, já tem 41. O time paulista, mais interessado pela disputa, usa bem o fator campo. Adianta as peças do meio-campo e pressiona o adversário na defesa. Tem intensa movimentação de Elias, Jucilei e Bruno César, que confundem a marcação. O time de 2009 era mais estático. Jorge Henrique aberto pela esquerda, Dentinho pela direita, Elias e Edu se aproximando.

O time de Cuca tem a mesma estrutura que tinha o de Adilson. Ano passado, o Cruzeiro teve o melhor desempenho fora de casa do campeonato - o que se repete na temporada atual. A mudança é na forma de conseguir os resultados. Adilson Batista primava pela posse de bola. Jogasse onde fosse, a equipe mineira rodava a bola, tinha paciência para definir as jogadas. O Cruzeiro atual é mais agudo. Se protege melhor, com praticamente só Fabrício saindo, entre os volantes. A saída passa mais pela bola longa e a jogada tem, quase sempre, a participação de Montillo.

No ano passado, quem deu as cartas foi o Cruzeiro. Anulou um Corinthians sem ideias, e para isso não deixou o time alvinegro ter a bola. No jogo de sábado, os paulistas terão a bola, mas encontrarão um adversário que sabe se fechar e tentará ser letal no contragolpe. É jogo de vida ou morte. Uma decisão para chegar a decisão de quem disputa o título com o Fluminense nas últimas três rodadas.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Palmeiras sem criatividade, mas a quatro jogos da Libertadores

A classificação do Palmeiras, contra os reservas do Atlético pode ser vista por dois ângulos. O primeiro pelas dificuldades que teve para passar pelos reservas de Dorival Jr. O segundo pela proximidade da Libertadores e a possibilidade de salvar o ano. O time de Luís Felipe Scolari carece de criatividade e não se priva de riscos na defesa. Já na partida em Sete Lagoas, o Atlético criou dificuldades. No Pacaembu, o time mineiro jogava melhor até o gol de Marcos Assunção.

A equipe tem dois jogadores de qualidade para decidir jogos: Kléber e Valdivia. Com mais uma contusão do chileno (de novo no primeiro lance que participou), o time depende de lançar a bola para Kléber e esperar que algo aconteça. Se bem marcado, a chance passa a ser a bola parada com Marcos Assunção. Foi assim, na cobrança de escanteio, que saiu na frente.

Antes disso, o Atlético chegava com a bola longa de Mendéz e a velocidade dos atacantes. Tivesse Tardelli em campo, talvez não tivesse perdido as chances que teve Ricardo Bueno e o jogo seria outro. Apenas com reservas, os mineiros bloqueavam bem e tinham muita movimentação na frente. Sem entrosamento, o Atlético pecava na saída de bola e foram assim as principais chances do Palmeiras na partida.

A pouca produção do time é motivo para Scolari se preocupar. Depois de tatear e chegar a escalar seis volantes em campo, Felipão parece disposto a deixar a equipe protegida e apostar na qualidade dos homens de frente para vencer as partidas. O ângulo otimista é que restam quatro partidas para chegar à Libertadores. O Palmeiras pode ter ainda um 2010 melhor que o do rival Corinthians, por exemplo. Se vencer a Sul-Americana e o alvinegro for vice-campeão brasileiro, os dois disputarão a Libertadores em 2011 e o Palestra fecha a temporada com um título internacional.

Para isso, a bola parada de Assunção e a qualidade de Kléber poderão ser o suficiente. Não é possível mais contar com Valdivia. Mas é bem possível contar quatro jogos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ney Franco pagou a conta que não era dele e ainda reformou a casa

Ney Franco disse que pagou sua dívida. O acesso de volta para a série A, passa pelo treinador. A queda teve a presença de Ney, mas não culpa. O treinador assumiu o Coritiba na 18ª rodada com 16 pontos. O aproveitamento era de 29%. Mesmo com o rebaixamento, fez 29 pontos em 20 partidas, 48% dos pontos conquistados.

Ney conseguiu montar um time de baixo custo e boa produção. Enrico, Leonardo, Rafinha, Léo Gago. Foram apenas 12 derrotas no ano. Estadual conquistado no primeiro semestre e acesso à Série A garantido com três rodadas de antecedência.

O treinador não tinha nenhuma dívida. Mesmo se tivesse, teria pago com juros e correção. Como Ney Franco vai coordenar as seleções de base e dirigir a equipe sub-20, a partir de dezembro, o Coxa terá de procurar outro treinador. Ney Franco pagou a conta que não era dele e aidna deixa fez ótimas reformas na casa para o próximo locatário.

domingo, 7 de novembro de 2010

Cruzeiro consistente, como o que cresceu no campeonato

Lembra do Cruzeiro que era consistente e vencia por 1 a 0 a maioria do seus jogos? Esse time voltou. Com três zagueiros e Montillo avançado ao lado Thiago Ribeiro, o time de Cuca tinha bom toque de bola no meio-campo, mas pecava na hora de definir o lance. O time mineiro construía jogo pela direita e cruzava na área buscando Diego Renan (!?). O gol da vitória, creditado a Thiago Ribeiro, sai em cruzamento despretensioso que Jonas empurra para o fundo do gol.

No setor defensivo, o time era consistente. Fábio precisou fazer duas boas defesas, uma bola acertou a trave, mas o Vitória só chegou na bola parada de Ramon. O Cruzeiro pôde ainda matar o jogo no segundo tempo, com o contragolpe bem tramado. Montillo e Thiago Ribeiro voltaram a jogar bem e se entendiam na saída pela direita. Gilberto entrava em diagonal para finalizar com perigo.

Cuca mudou o Cruzeiro para enfrentar o Vitória. O treinador entendia que precisava de um fato novo e escalou três zagueiros – o que não fazia desde a última rodada do primeiro turno, contra o Palmeiras. Para a próxima rodada, contra o Corinthians, o treinador ganha Fabrício e poderá ter novamente Wellington Paulista.

O jogo da próxima semana terá frente a frente o segundo melhor ataque (58) contra a segunda melhor defesa (34) – o texto foi escrito antes da partida entre Fluminense, que sofreu 33 gols, e Vasco. O mandante que mais pontuou (41 pontos) contra o visitante mais eficaz do campeonato (28 pontos). O Cruzeiro que venceu os jogos mais difíceis foi o time do 1x0. Foi assim contra Corinthians, Fluminense e Internacional. Consistente, sem dar grandes chances ao adversário e aproveitando as poucas chances que criou.

A vitória cruzeirense em Salvador garante ao jogo do Pacaembu status de final de campeonato. Final que pode ter um terceiro interessado. O Brasileirão está fervendo.

Empate entre passado e presente de Dorival Jr.

Marcelo Martelotte optou por um Santos mais precavido contra o Atlético, em Sete Lagoas. Adriano Bispo e Possebon davam mais consistência, mas menos mobilidade ao time paulista. O Atlético, mais uma vez com dois meias e dois homens na frente, tentava prensar o Peixe no seu campo e se preocupava com Neymar no contragolpe. Com muita chuva e dois apagões, a partida teve ainda alta velocidade. Marca deixada por Dorival Jr. no Santos e, por vezes, já notada no Galo.

A marcação atleticana começou errada. Zé Luís tentou cobrir Rafael Cruz, abriu espaço para Neymar. Rever recuou e o atacante abriu o placar. Quando Serginho passou a marcar o camisa 11 santista, o Atlético cresceu. O volante atleticano foi o melhor em campo (ao próprio do lado Neymar). Evitou o contragolpe do Peixe e ainda conseguia puxar os contragolpes. Foi dele o passe para Diego Tardelli empatar o jogo.

Faltava ao time mineiro ter maior participação de Diego Souza e Renan Oliveira. Rodava a bola à frente da área, mas com os meias tocando para o lado e para trás, não havia como criar. Os dois fizeram a jogada do segundo gol, marcado por Obina. O antídoto de Martelotte era fazer o Santos voltar a ser o time ofensivo de outros jogos. Para isso tinha Alan Patrick e Marcel em campo. O time passou a ser mais veloz, mais ofensivo e chegou ao empate com a falha de Renan Ribeiro. 39º gol de Neymar na temporada, um a menos do que Jonas – artilheiro do Brasil.

Empate justo, para duas equipes com pinceladas de Dorival Jr. O Santos ainda se parece com a equipe montada pelo treinador e o Atlético demonstra o mesmo em alguns momentos. Ao clube paulista, com ou sem o empate, depois de sábado vem o domingo. Para o Atlético, perder pontos, mesmo sem jogar mal, é perigoso. Se o empate foi bom ou não, só em dezembro para ter certeza.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Derrota não é trágica, mas tira do Cruzeiro o direito de errar

O São Paulo com Fernandão, Lucas, Dagoberto e Ricardo Oliveira e o Cruzeiro com Gilberto, Montillo, Thiago Ribeiro e Robert prometiam fazer um jogo aberto. Paulo César Carpegiani não entendeu assim. Fechou o seu time com Carlinhos Paraíba e Rodrigo Souto à frente da defesa, uma linha com Lucas pela direita, Dagoberto por dentro e Fernandão pela esquerda. Ricardo Oliveira isolado.. O erro do time paulista foi deixar Fernandão na marcação de Jonathan. O cruzeirense levava a melhor e, com Dagoberto centralizado, Henrique o vigiava e o contragolpe não saia.

Pela direita, o Cruzeiro chegava com Jonathan, mais Thiago Ribeiro e Montillo. A tentativa era a de chegar à linha de fundo e cruzar para Robert. Jogada que consagrou os zagueiros do Tricolor. No primeiro tempo, Dagoberto quase abriu o placar quando trocou de posição com Fernandão e apareceu nas costas de Jonathan para encobrir Fábio e Edcarlos salvar sobre a linha. No início da etapa final, Fernandão recua para armar no círculo central. A senha para Lucas e Dagoberto entrarem em diagonal e Lucas abrir o placar.

Cuca não podia deixar seu time mais ofensivo, senão daria o contragolpe para o São Paulo. Tentou soltar mais Diego Renan, Jonathan virou ponta e Fabrício tentou ser meia. Não deu certo. Em jogada de Ricardo Oliveira, Léo coloca o braço no peito do atacante, fora da área. Choque não é sinal de falta. O lance foi normal e foi fora da área. Não foi por isso que o Cruzeiro perdeu. O São Paulo era soberano em campo e apenas o acaso de um lance fortuito poderia mudar o resultado. Rogério Ceni marcou seu sexto gol em Fábio, sua maior vítima. Sexto gol no Cruzeiro, o Palmeiras é quem mais levou gols do goleiro: sete.

O São Paulo de Carpegiani, como foi dito neste espaço após a vitória sobre o Atlético-PR, é melhor. Venceu cinco dos seis jogos que fez sob o comando do torcedor. Mais rápido, mais envolvente e mais solto.

Segue o tabu: nas últimas 13 partidas entre as equipes pelo campeonato brasileiro, oito vitórias paulistas e cinco empates. Com três derrotas nas últimas quatro rodadas, o Cruzeiro precisa de 13 pontos nos últimos 15 para chegar aos 70 pontos - que Cuca acredita ser o suficiente para ser campeão. Um ponto atrás do Fluminense, a derrota não é uma tragédia, mas passa a oportunidade de ser líder a cinco rodadas do fim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

América ainda é favorito à vaga, mas precisa aprender a atacar

Contra o Paraná Clube, o América chegou a quarta derrota nas seis últimas rodadas, permitindo que o Sport tirasse cinco pontos de diferença e esteja, hoje, a um ponto do quarto colocado. A queda de produção preocupa para as cinco rodadas finais, quando a equipe mineira terá de enfrentar Guaratinguetá e depois uma sequência difícil com Bahia, São Caetano, Sport e Ponte Preta – com dois jogos no interior paulista.

Os dois confrontos mais complicados do time de Mauro Fernandes serão disputados na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. O que pode ser bom para o América, desde que passe a ser uma equipe que saiba atacar. Desde o ano passado, no time montado por Givanildo de Oliveira, com três zagueiros para a disputa da série B, o Coelho é forte na defesa e rápido no contragolpe. Em muitos jogos como mandante teve problemas para fazer o primeiro gol e conseguiu deslanchar depois do adversário ter de se abrir mais.

Foi assim contra equipes frágeis como América-RN e Santo André. Quando encontrou adversários mais fortes, teve problemas. No primeiro turno, perdeu para Náutico e Ponte Preta – que na época brigavam na parte de cima da tabela. No segundo, empatou com Coritiba e perdeu da Portuguesa. Bahia e Sport, adversários que vai receber em Minas, são, respectivamente, primeiro e quarto melhor visitante da Série B.

O América ainda é favorito para ficar com uma vaga na primeira divisão. Tem um ponto de frente e levará vantagem em um possível empate em número de pontos com o Sport, graças ao número de vitórias. Apesar das dificuldades em Sete Lagoas, decidirá em casa o confronto direto. O Coelho tem problemas para resolver. Para chegar à Série A, terá que continuar bem nos contra-ataques, mas também vai precisar aprender a atacar.