quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Atlético: quanto mais, pior.

A partida Ceará x Atlético-MG teve, na teoria, o Vozão pressionando, atacando com todas suas armas, sufocando o Galo em seu campo. Por outro lado, os mineiros tentavam se fechar, se defender com qualidade e surpreender em contragolpes, apostando em velocidade para vencer o adversário. Tudo na teoria.

Na prática, o que se viu foi o Ceará que quanto mais tentava atacar, quanto mais chances criava, quanto mais podia definir o jogo, mais deixava claro como seu poder ofensivo é fraco e pode comprometer o trabalho de um campeonato praticamente inteiro de boas atuações da defesa. Dentro da proposta de jogo do Atlético, quanto mais a equipe se fechava, quanto mais tentava evitar o ataque adversário e se lançar nos espaços que tinha, mais deixava claro o quanto se defende mal e não tem o mínimo de organização – o trabalho de dois dias de Dorival Jr. ainda não pôde ser percebido dentro de campo.

O resultado era evidente: quanto mais se aproximava o final do jogo, mais claro ficava que ninguém poderia sair vencedor. Um ponto é exagero para o que mostraram Ceará e Atlético. O Vozão fez 14 pontos pós-Copa. 24% de aproveitamento. Se for assim até o final, chega aos 40 pontos e será um possível rebaixado. O Atlético é, dentro do campo, o pior time do campeonato e só não está na lanterna pelos pontos que o Grêmio Prudente perdeu no STJD. Precisa vencer oito dos doze jogos restantes para se salvar.

Quanto mais o tempo passa, mais claro fica que a reação está demorando demais...

Cruzeiro: simples e eficiente

O Cruzeiro não precisou ser brilhante para vencer o Atlético-GO por 3 a 0 – placar mais dilatado da equipe mineira na competição. O time de Cuca foi consistente, não deu oportunidade para o adversário levar perigo e construiu naturalmente o resultado.

Cláudio Caçapa abriu o placar aos 32 minutos. Gol que não saiu antes graças a forte marcação da equipe goiana. Forte literalmente. Gilson fez falta duríssima em Diego Renan, o que tirou o lateral do jogo.

Com mais espaço, os mineiros ampliaram após boa jogada de Thiago Ribeiro (que voltou a jogar bem após três jogos) e Rômulo pela direita. Montillo tirou Victor Ferraz da jogada “como quem chupa laranja” – diria Neném Prancha. O argentino foi discreto na partida, participou bem menos do jogo do que já se viu. O responsável foi o cansaço devido ao ritmo intenso do futebol brasileiro, bem diferente do que estava acostumado. Mesmo sem jogar tudo que pode, Montillo mostrou como é fácil para ele ser diferente da maioria. Como é simples ser ótimo.

Com o pé fora do acelerador, o Cruzeiro administrou o placar no segundo tempo, contou com duas grandes defesas de Fábio e ainda conseguiu consagrar Wallyson que havia perdido um gol feito antes de fechar o placar. O Atlético Goianiense jogou 12 vezes fora do Serra Dourada e perdeu nove. Venceu apenas o Palmeiras. Quem quer ser campeão, não poderia pensar em outro resultado jogando em casa.

Contra os goianos, a Raposa fez sua obrigação. E muito bem feita. Em um campeonato de 38 rodadas vale mais ser consistente do que ser brilhante. O Cruzeiro tem momentos de brilho, como foi mostrado contra Palmeiras, São Paulo e Botafogo. A arrancada de oito vitórias nas últimas 11 rodadas não poderia ser feita apenas com momentos sensacionais. Não dar chance ao azar também faz parte da disputa pelo título e foi assim que o Cruzeiro deu mais um passo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mudança tática + Neymar = goleada do Santos

O primeiro tempo de Santos e Cruzeiro foi equilibrado. O time mineiro poderia até mesmo ter saído com a vitória não fosse a bola de Thiago Ribeiro na trave ou o gol mal anulado de Farías. O Santos tinha Neymar jogando muito pelo meio, próximo a Marcel, com a aproximação de Zé Eduardo e Marquinhos também pela faixa central. Era o que o Cruzeiro queria para desarmar e contra-atacar.

Depois do intervalo, Marcelo Martelotte mudou a forma da equipe se portar. Zé Eduardo abria pela direita, Neymar pela esquerda e Marcel fazia o pivô. O Santos abriu a defesa do Cruzeiro e parou de perder bolas na frente. Depois de nove minutos de pressão fez 1 a 0 e conseguiu ampliar, mesmo depois de ter Zé Eduardo bem expulso. Neymar era quem mais jogava. No canto do campo, seu futebol cresce, a marcação fica acuada e o jogador desequilibra. Após o gol de Thiago Ribeiro, Neymar deu lindo passe para o golaço de Alex Sandro e depois marcou também um belo gol.

O Cruzeiro não percebeu, em momento algum, as mudanças táticas do adversário e pagou alto por isso. Com a marcação do Santos avançada, a bola não chegava a Montilo e o argentino não conseguia armar. O Santos goleou com autoridade no segundo tempo. Perder para a equipe da baixada seria um resultado aceitável, não fosse pelo detalhe que Corinthians e Fluminense, concorrentes ao título, derrotaram o Santos como visitante.

A Raposa terá de se reabilitar na sequência que envolve Atléticos de Goiás e Paraná em casa, Goiás fora e depois o confronto direto com o Fluminense. Quatro jogos fundamentais para seguir na disputa pelo campeonato. Enquanto isso, o Santos ainda se permite sonhar. Mais do que sonho, os meninos da Vila terão de conseguir um aproveitamento absurdo para conquistar a Tríplice Coroa.

Dorival Jr. é o técnico dos objetivos cumpridos

Dorival Jr. já havia sido campeão estadual no Figueirense (2004), Fortaleza (2005) e Sport (2006). O vice-campeonato paulista de 2007 com o São Caetano, goleando o São Paulo por 4 a 1 no Morumbi, levou o treinador ao Cruzeiro. Alvimar Perrella, presidente na época, queria o título brasileiro. Dorival ponderou que, com alguns reforços, seria possível levar a equipe à Libertadores. Chegaram Roni, Wagner, Fernandinho, Alecsandro e Charles. O Cruzeiro brigou pelo título e acabou com a vaga para a Libertadores. Objetivo cumprido, mesmo assim o treinador foi demitido devido à sequência ruim de duas vitórias nas últimas 11 rodadas.

Contratado pelo Coritiba, o treinador foi campeão estadual e terminou o campeonato brasileiro na frente do rival Atlético, no retorno do Coxa à Série A. No ano seguinte, o objetivo seria levar o Vasco de volta à primeira divisão. O clube foi campeão da Série B.

No Santos, um dos objetivos era conquistar resultados rapidamente. Robinho foi contratado para passar apenas o primeiro semestre no clube. O Peixe foi campeão paulista e venceu a primeira Copa do Brasil de sua história.

Por onde passou, trabalhou com jovens. Ramires, Charles, Guilherme, Marcelo Moreno e Jonathan no Cruzeiro. Keirrison foi artilheiro do Brasileiro com o Coritiba em 2008, Phillipe Coutinho no Vasco. O trabalho feito dentro de campo com os garotos do Santos dispensa citações.

Dorival Jr. é o técnico dos objetivos cumpridos nos últimos quatro anos. Tem contrato com o Atlético até 2011. Resta saber qual é o objetivo desta vez.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dorival Jr. não tem restrições quanto ao Atlético

Dorival Júnior está incomunicável na manhã de sexta-feira. Pessoas próximas, que conversaram com Dorival após ser demitido pelo Santos, afirmam que o treinador não tem restrições quanto a possibilidade de dirigir o Atlético e que não negocia com o São Paulo. Dorival quer passar o final de semana com a família em Araraquara, no interior de São Paulo.

Se o ex-comandante do Santos for a única opção do Atlético, o clube seguirá, nos próximos dias, sem técnico.

Atualização: no final da tarde Dorival atende ao telefone. “Marcelo, são 5h45 até agora ninguém do Atlético me ligou. Isso eu posso te garantir”. O treinador mudou a programação do final de semana. Iria visitar os familiares em Araraquara, mas vai a Florianópolis, onde reside com a esposa.

A troca de itinerário pode ser uma pista para uma conversa familiar que irá definir seu futuro. Futuro incerto, uma vez que ainda não foi procurado por Alexandre Kalil.

Afinal, o que era o projeto de Vanderlei Luxemburgo?

Para se falar no Atlético em 2010 era necessário usar a palavra “projeto”. E a queda de Vanderlei Luxemburgo, evidentemente, põe fim a essa fase. Mas o que é projeto em um clube de futebol? Para Alexandre Kalil, contratar o técnico mais vitorioso do futebol brasileiro nos últimos 20 anos, manter Diego Tardelli, artilheiro do Brasil em 2009, e agregar nomes reconhecidos como Cáceres, Ricardinho, Daniel Carvalho, Réver e Diego Souza era a fórmula para tirar o clube da fila que dura 40 anos.

Isso não é projeto. Mesmo que no final dos dois anos de contrato Vanderlei Luxemburgo entregasse ao Atlético um título de expressão, a conta deveria ser paga depois. Foi assim no Cruzeiro, que só se reencontrou financeiramente após a venda de Fred, no Santos e no Palmeiras, últimos clubes em que Vanderlei trabalhou. Mesmo com a herança maldita que haveria, apostar no treinador era a cartada alta para montar uma equipe vencedora.

Vanderlei Luxemburgo nunca representou projeto no futebol. Já foi sinônimo de títulos e equipes bem treinadas, é fato. Quando se fala em projeto é preciso pensar no trabalho que será feito e no que será deixado para o sucessor aproveitar. Algo como fez Mano Menezes que assumiu o Grêmio na série B em 2005, voltou à primeira divisão, terminou o Brasileiro de 2006 em terceiro lugar e no ano seguinte foi vice-campeão da Libertadores. Entregou um Grêmio forte para Celso Roth conduzir ao segundo lugar do campeonato brasileiro de 2008. Trajetória parecida com a do próprio Mano, a frente do Corinthians.

Projeto é o que fez Dorival Jr. no Cruzeiro em 2007 assumindo uma equipe destroçada após a final do estadual, lapidando jogadores como Ramires, Charles, Jonathan, Guilherme e Marcelo Moreno para Adilson Batista chegar duas vezes entre os quatro melhores do campeonato brasileiro e ser vice-campeão da América. Adilson, por sua vez, que deixou uma base forte para Cuca aprimorar na briga pelo título nacional de 2010. É o que fazia Levir Culpi no Atlético campeão da série B em 2006, Mineiro em 2007 até ter o trabalho interrompido pelo convite do futebol japônes.

Fazer um bom trabalho é montar uma equipe competitiva, uma forma de gerir o futebol do clube e um bom legado para os próximos trabalhos. Times competitivos e bons trabalhos estão mais próximos de títulos do que nomes e salários. Hoje, quem for assumir o Atlético terá que começar do zero e conseguir resultados imediatos como vencer oito jogos dos 14 que restam para evitar o rebaixamento. Vanderlei Luxemburgo não deixa nada de positivo para seu sucessor. O tal projeto foi um fracasso total.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cruzeiro: o jogo e o campeonato da paciência

O tom de jogo para o Cruzeiro era paciência. O Ceará foi à Sete Lagoas como a melhor defesa do campeonato e disposto a fazer jus ao posto. Quase conseguiu. A equipe de Dimas Filgueiras travou o adversário com marcação individual: Oziel e Ernandes miravam os laterais Diego Renan e Rômulo, a dupla de volantes João Marcos e Michel anulava Roger e Montillo, Heleno tirou Thiago Ribeiro do jogo. Além disso, Geraldo vigiava as arrancadas de Fabrício, Ânderson e Diego Sacoman não deixavam Farías livre.

Raras vezes a Raposa foi tão bem marcada. Cuca tentava alternativas, inverteu o lado de Thiago Ribeiro, colocou Éverton para aumentar a movimentação, trocou Rômulo por Wallyson, mas o Vozão seguia preciso nos desarmes. Jogou a partida inteira sem a bola e cometeu 26 faltas – 13 em cada tempo. O time mineiro sofria ainda com sustos de contragolpes raros, mas sempre perigosos.

Derrotar o ferrolho alvinegro, dependia de velocidade no passe ou uma jogada individual. O Ceará não permitia que o Cruzeiro acelerasse o jogo e o gol só foi sair quando Montillo venceu Michel. O volante, melhor jogador em campo, foi driblado pelo argentino no lance que resultou no pênalti de Ernandes. Bola na mão? Não. O lateral abre o braço deliberadamente, aumentando a área do corpo e levando vantagem no lance em que Henrique finalizou.

O gol só saiu aos 38 minutos do segundo tempo. Antes de Farías marcar o segundo, o Ceará ainda teve um gol anulado pela arbitragem que assinalou impedimento, dificílimo de ser percebido, de Marcelo Nicácio. A dificuldade em definir o jogo deve servir de alerta: Montillo é ótimo, mas quando é marcado individualmente, o Cruzeiro sente: foi assim também contra o Palmeiras, com Pierre, e Botafogo, com Leandro Guerreiro.

O Ceará tem a chance de ver, novamente, que só se defender com qualidade não será o bastante para se manter na série A. Foram 13 pontos em 33 possíveis pós-Copa. A arrancada do Cruzeiro já conta com sete vitórias e dois empates. Com 44 pontos, a Raposa tem a mesma pontuação do Palmeiras, líder após 24 rodadas em 2009. O jogo contra o Ceará era a partida da paciência. Ainda restam 14 jogos, paciência será fundamental para ultrapassar o Corinthians.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dorival Jr., Neymar e o pênalti do futebol brasileiro

A diretoria do Santos justifica a demissão de Dorival Júnior dizendo que “o pênalti não era para o treinador”. Como não? Não cabe ao técnico decidir quem joga ou fica de fora? Dorival não queria contar com Neymar na partida contra o Corinthians e a escolha deveria ser respeitada.

A crise da falta de comando no Santos começa com Neymar e as ofensas dentro de campo seguidas da discussão com Ivan Izzo no vestiário. Passa pela punição administrativa que a diretoria pensava ser suficiente e culmina com a divergência entre comissão técnica e direção sobre a barração do atacante. Em uma situação na qual não há ninguém totalmente submisso ou obediente à vontades superiores, Neymar é quem aparece como mais forte. Ganha o apoio da diretoria, elogiada até pelo presidente da república por ter conseguido montar um esquema para manter as principais estrelas no Brasil.

Jogador que pode um dia ser reconhecido mundialmente, o jovem demonstra como não está pronto, embora tenha sido preparado para isso desde os 13 anos, para assumir a condição de destaque internacional – seja em um clube ou seleção. O mesmo não acontecia com Cristiano Ronaldo ou Messi, com a mesma idade. Neymar representa a geração futura do futebol brasileiro. É a esperança de renovação para 2014 quando a seleção estará mais pressionada do que nunca para ser campeã do mundo. Em menos de quatro anos Neymar precisa amadurecer para conviver bem com essa pressão.

A demissão de Dorival Jr. representa mais do que a vitória de um garoto mimado e prepotente, embora com talento muito acima da média. A queda do treinador é a perda de ma ótima oportunidade de fazer Neymar crescer. Perde o futebol brasileiro.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Luxemburgo tem o pior aproveitamento de sua história em campeonatos brasileiros

Na entrevista coletiva após a derrota para o Vitória, Vanderlei Luxemburgo apelou para seu passado pobre, a fim de lembrar que é um vencedor. A história do treinador permitia que os resultados fossem aguardados. Dos seis campeonatos por pontos corridos então disputados, Luxemburgo foi campeão duas vezes e levou a equipe dirigida até a Libertadores em outras três. Apenas em 2009, quando foi demitido do Palmeiras na 7ª rodada (então quarto colocado) e depois assumiu o Santos, não terminou entre os quatro melhores.

A história recente é contrastada com a temporada atual. Luxemburgo já igualou seu recorde pessoal de derrotas em uma única edição: 14. Mesmo número de 2007 – quando foi vice-campeão com 18 vitórias. O aproveitamento de 30% é disparado o mais baixo das 17 edições já disputadas por Vanderlei. Pior do que conseguiu no Campo Grande-MS em 1983 (37,5%), Bragantino em 1990 (47%) ou Paraná Clube em 1995 (44%). Nem mesmo no Palmeiras de 2002, quando dirigiu a equipe em apenas um jogo, o desempenho foi tão ruim: empate com o Grêmio e 33% de aproveitamento.

A série de fracassos seria suficiente para derrubar qualquer técnico, menos Vanderlei. O que o mantém no cargo é a ausência de um candidato para substituí-lo. O presidente Alexandre Kalil evita entregar o Atlético a um “Zé Mane”. Luxemburgo colocou e vai ter que tirar o clube dessa situação.

A trajetória de sucesso no futebol mostra que o treinador é capaz. Para isso, não precisava nem ter levado a público os problemas familiares da infância. Não será a história que vai livrar o Atlético do rebaixamento. É futebol. E isso, em 2010, Vanderlei mostrou ser capaz de oferecer muito pouco.

Confira abaixo o desempenho de Vanderlei Luxemburgo em campeonatos brasileiros.

2009: 47 % (7 jogos pelo Palmeiras e 26 pelo Santos)
2008: 57% (Palmeiras)
2007: 54% (Santos)
2006: 56% (Santos)
2004: 67% (Santos)
2003: 72% (Cruzeiro)
2002: 54% (1 jogo pelo Palmeiras e 23 pelo Cruzeiro)
2001: 42% (Corinthians)
1998: 63% (Corinthians)
1997: 52% (Santos)
1996: 61% (Palmeiras)
1995: 50% (15 jogos pelo Paraná e 8 pelo Palmeiras)
1994: 71% (Palmeiras)
1993: 81% (Palmeiras) * a vitória valia 2 pontos. Valesse 3, o aproveitamento seria de 78%
1991: 50% (Flamengo) – * ou 45%, se a vitória valesse 3 pontos.
1990: 54% (Bragantino) – * ou 47%.
1983: 43% (Campo Grande) – * ou 37%.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Futebol pobre, explicações vazias

A vantagem de 2 a 0 construída pelo Vitória no início do jogo poderia ter sido fruto de um começo incrível do time baiano. Não foi. O time de Ricardo Silva jogava bem (como fazia até a saída do treinador), mas dificilmente pensaria enfrentar um adversário tão facilmente derrotável como era o Atlético até os 30 minutos de jogo. Elkesson, Egídio, Bida, Henrique. Todos tinham liberdade.

O Vitória se fechava bem com César Santiago em Daniel Carvalho, Eduardo em Diego Tardelli e Bida marcando Ricardinho. Não fosse a expulsão justa de Anderson Martins, o Vitória provavelmente deixaria Sete Lagoas com uma goleada conquistada. Com um a mais, o jogo se transformou em pressão atleticana que resultou no gol de Daniel Carvalho em jogada individual. O erro de Ricardo Silva no primeiro tempo, sacando Elkesson para recompor a defesa e deixando os dois atacantes sem ligação, era sentido em campo por um time que não passou a não criar nada.

No segundo tempo, o Atlético tinha Tardelli, Berola, Obina, Daniel Carvalho e Diego Souza em campo. Meio time exclusivamente ofensivo para encurralar o Vitória. Após o empate, fruto de rara troca de passes lúcidos do Galo, a sensação era de que se aproximava a virada. Só sensação. Em cobrança de falta despretensiosa na intermediária, a defesa do Atlético assistiu Henrique fazer o gol decisivo. O bom jogo da equipe rubro-negra é de surpreender pelo momento vivido – então sete jogos sem vencer. A atuação desencontrada do Atlético não é novidade.

O time rebaixado de 2005 tinha 22 pontos com 13 derrotas e 35 gols sofridos após 23 rodadas. O atual soma 21 pontos, perdeu 14 vezes e levou 40 gols. O atleticano faz as contas e vê que são necessárias oito vitorias nas 15 rodadas restantes para se evitar o desastre. Procura respostas e encontra um Vanderlei Luxemburgo vazio divagando sobre sua história de sucesso que começou com uma vida sofrida. Ora, Luxemburgo é vitorioso e disso todos sabem. O que ninguém faz ideia é como o técnico pode estar tão seguro que, sem mostrar o mínimo de futebol organizado, o Atlético não vai ser rebaixado.