quarta-feira, 15 de abril de 2009

Athirson: a parte física avaliza sua contratação.

Quando se fala em contratar Athirson, logo vem o pensamento da condição física do jogador. Sempre lembrado pelas contusões musculares que o atrapalharam a ter seqüência de bons jogos por onde passou, o lateral-esquerdo parece ter superado a dificuldade.

Desde que chegou à Portuguesa, em agosto do ano passado, Athirson só não participou de quatro jogos da Lusa. Fez 13 partidas seguidas nas últimas rodadas do Brasileirão e, esse ano só ficou de fora duas vezes por suspensão, uma vez poupado da viagem para Fortaleza (devido ao jogo contra o Palmeiras três dias depois) e ainda em uma outra partida. Foram 30 jogos disputados, dos 32 possíveis.

Athirson marcou seis gols, levou cinco cartões amarelos e foi expulso uma vez. Bom desempenho, mas o lateral é muito ofensivo – jogou várias vezes de ala na equipe paulista. Adilson Batista vai continuar com a sina de contar com jogadores avançados para o setor: Jadilson, Carlinhos, Fernandinho, Gérson Magrão e Sorín não tem como principal característica a marcação. É o mesmo caso do próximo reforço da Raposa.

Goleada depois de Wagner, que está devendo.

Na noite de terça-feira, o Cruzeiro não enfrentou um time que só pensou em se defender, não atuou da intermediária pra trás ou parou a Raposa com seguidas faltas. O Cruzeiro esbarrou em falta de criatividade. Isso já acontece a algum tempo. Não é de hoje que os adversários se fecham, mas antes o time de Adilson tinha mais facilidade de vencer a marcação.

O Cruzeiro perdeu Fernandinho que fazia, com lançamentos, a ligação direta. Além disso, Ramires passou a jogar mais à frente, diminuindo o fator “elemento surpresa” quando as defesas estão mais bem posicionadas. O principal: Wagner não faz uma boa temporada. Do time considerado titular - Fábio, Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva e Gerson Magrão; Fabrício, Marquinhos Paraná, Ramires e Wagner, Kléber e Thiago Ribeiro – apenas Thiago Heleno e o camisa 10 ainda não marcaram em 2009.

Um homem de frente precisa fazer gols. Precisa chegar mais dentro da área, arriscar mais, decidir mais. Especialmente nesse time do Cruzeiro. Adilson Batista já afirmou que pretende jogar com um homem de área e um velocista bem aberto porque a movimentação abre espaços para os que vêm de trás.

O treinador admitiu, depois da partida contra o Ituiutaba, que Wagner está devendo. Também acho que está, mas ainda não sei até que ponto é responsabilidade do treinador por deixar o meia tão aberto pela esquerda, aproveitando a velocidade, mas reprimindo a criatividade do jogador.
Com as dificuldades que mostrou contra Tupi, América e Ituiutaba, fica claro que em partidas mais difíceis, contra rivais que atuem nos erros do Cruzeiro, a Raposa vai passar por apuros.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A dependência de Éder e Tardelli.

São 24 dos 33 gols no estadual marcados por Diego Tardelli e Éder Luís. Números tão expressivos apontam algumas características do Galo. O time do Atlético já tem definida uma forma de jogar, e essa maneira é principalmente de saída rápida da defesa para o ataque explorando a velocidade e movimentação intensa dos homens de frente.

São mais de 70% dos gols divididos em dois jogadores, o que aponta também para uma certa dependência dos dois na hora de decidir. Não podemos dizer que a dependência é absoluta porque contra Villa Nova e Ituiutaba os autores dos gols foram Júnior, Chiquinho e Kléber.

Por mais que os adversários saibam que Éder e Tardelli são os jogadores mais perigosos do Atlético, é difícil anula-los devido, justamente, à velocidade e movimentação da dupla. Ponto positivo para o alvinegro é a incorporação de Alessandro ao elenco. O jogador pode ser o reserva imediato – ou brigar por posição – de qualquer um dos dois atacantes, sem mudar as características de jogo. Alessandro também é veloz, inteligente e habilidoso.

Como em quase todos os posts sobre o Atlético, continuo ressaltando que faltam testes mais fortes para sabermos com exatidão se o que ocorre no campeonato mineiro vai ser repetido no brasileiro, mas ao que parece, no caminho certo, a equipe está.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A derrota de Adriano.

Quem perde mais com a aposentadoria, ainda que temporária, de Adriano? Vejo a questão com três pilares: o jogador, a Internazionale e o futebol. Bem, o futebol já perdeu Adriano a cerca de três anos. Desde 2005 o Imperador não faz uma grande temporada.

A Inter perdeu dinheiro e se esforçou muito para não perder a paciência com as idas e vindas do brasileiro. Vai deixar de gastar o que ainda deveria até 2011 quando iria terminar o contrato, mas corre o risco de ver, daqui a alguns meses, Adriano resolvendo voltar a jogar e trocar de clube sem a equipe italiana ganhar nada por isso.

Quem perde mais é Adriano. Dinheiro não lhe falta, por tudo que já conquistou. Adriano perde por não ter conseguido administrar a pressão que é ser um ídolo e uma figura pública. Aqui devem ser levadas em consideração todas as questões que envolvem um ser humano e a forma com que Adriano passou sua vida até aqui. Deve-se, acima de tudo, respeitar o momento do jogador.

Respeitar é a pessoa uma coisa, criticar o atleta é outra. Respeito, até por não saber o que o levou a tal atitude, a decisão. Critico o fato de Internazionale, seleção brasileira, José Mourinho, Dunga, Parreira, São Paulo, e muitos outros que apostaram em sua recuperação, terem tentado tratar Adriano com cuidados que outros atletas não tiveram e o jogador não ter correspondido a toda essa atenção.

Adriano é vítima por ter sido um garoto sem instrução, com problemas desde sua infância e que, de repente, se vê milionário e badalado. É culpado por não ter tido maturidade para lidar com tudo isso. Quem perde mais é o ex-Imperador.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mais do que 4 a 0.

A goleada sofrida pelo Cruzeiro na Argentina me soa muito mais preocupante do que pode parecer. Preocupa tanto porque não pode ser considerada um acidente de percurso, chega a ser pontual. Exibições iguais a apresentada diante o Estudiantes foram vistas também contra o Real Potosí, Boca Jrs, Goiás, Náutico, Internacional e Grêmio. Em todas elas a postura foi a mesma, o que muda é a quantidade de gols sofridos e algumas particularidades em cada ocasião.

O Cruzeiro ainda não aprendeu a jogar fora do Mineirão. Claro que excluo o campeonato mineiro, pela fragilidade dos adversários. A equipe começa o jogo mal posicionada, dando espaços em todos os setores do campo e sem conseguir acompanhar qualquer movimentação ofensiva do adversário. O primeiro gol do Estudiantes saiu no quarto lance praticamente idêntico em cinco minutos de partida. O terceiro gol mostra a imaturidade que o time não perdeu. Ninguém marcou Verón ou Prette em uma falta na intermediária.

Não acho que a responsabilidade da derrota deva ser atribuída apenas a Adilson Batista. O episódio do atraso do ônibus, as falhas individuais de Marquinhos Paraná e do árbitro, que não marcou um pênalti, devem ser levadas em conta. O que se pode questionar é o porquê de tamanha diferença ao jogar dentro e fora de casa.

Por fim, o Cruzeiro deve usar a goleada para refletir sobre o quanto precisa melhorar para vencer uma competição como a Libertadores. Mais do que empolgar e insinuar no Mineirão, o time celeste precisa se mostrar competitivo. Vejo equipes, como São Paulo e Boca, com muito mais solidez e consistência do que a equipe mineira na briga pela América.

O requinte é a simplicidade.

Comece a reparar nas entrevistas de Emerson Leão. As palavras mais exaltadas pelo treinador, para falar sobre o Atlético, são simplicidade e ambição. A goleada sobre o Uberaba é emblemática para mostrar como os jogadores assimilam a proposta do treinador.

O alvinegro mostrou, desde o início do jogo, toque de bola rápido, agudo, com deslocamento dos que vinham de trás e solidariedade dos homens da frente. A ótima partida de Lopes, que fez dois gols e deu duas assistências até ser substituído quando a partida estava 4 a 0, foi o que faltava para o Galo encaixar seu melhor jogo na temporada.

Com Diego Tardelli marcado de perto, às vezes por dois homens, sobravam espaços para Lopes, Éder Luís e Júnior. No primeiro, e terceiro gol, percebe-se a inversão de posições. Na primeira entre Éder e Tardelli, com o camisa 11 aparecendo no meio da área. Na segunda oportunidade Diego lança Lopes que marca como se fosse um centroavante.

A simplicidade e velocidade que o Atlético imprime é o requinte da equipe que parece evoluir a cada dia com Emerson Leão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O absurdo do estadual.

O absurdo do campeonato mineiro de 2009 não é a falta que Alicio deixou de marcar sobre Carlos Alberto. Não é o tempo de acréscimo dado no jogo entre Atlético e Ituiutaba. Não é a mudança de Tupi e Cruzeiro de sábado para domingo.

A grande decepção foi a falta de organização de clubes e autoridades para marcar jogos. O problema já havia acontecido, em proporções menores, nos anos anteriores. Quando o campeonato foi lançado, as equipes entregaram laudos do corpo de bombeiros, polícia militar e vigilância sanitária, dando condições de jogo e definindo a capacidade dos estádios. Mais do que isso: escolheram, antes do início, onde pretenderiam jogar a fase final. Tudo para não acontecer o que se viu nas últimas semanas.

Por que se reunir antes da competição e decidir para depois mudar? Por que um laudo dos bombeiros municipais e depois outro dos estaduais? Por que deixar fazer arquibancadas provisórias às vésperas dos jogos decisivos e não se certificar que essas arquibancadas serão suficientes para acomodar o suficiente? Como fica a situação do Democrata que 10 dias depois de jogar em Ituiutaba vê o campo do adversário perder as condições de jogo?

A desorganização manchou o estadual. O campeonato mineiro de 2009 provavelmente vai ser lembrado pelo o que vai acontecer em uma esperada final entre Atlético e Cruzeiro. Tomara. Porque no restante da competição não há quase nada de bom para recordar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cada vez mais Marquinhos.

Depois do primeiro gol de Marquinhos Paraná em 73 jogos pelo Cruzeiro, Adilson Batista advertiu em tom de brincadeira: “A média dele é essa. Até no Japão”. No jogo seguinte, Paraná fez mais um, deu uma assistência e sofreu um pênalti. Bem acima da média.

Com Ramires atuando mais a frente, o Cruzeiro carecia de chegada de alguém de trás para ser o elemento surpresa, foi o que aconteceu nos dois confrontos contra o Tupi. Continuo reticente quanto a idéia de Adilson de que Ramires é meia. Até acho que pode ser, mas não um organizador, camisa 10. Ele pode funcionar como terceiro homem de meio, mas que vem de trás, não sendo referência para a marcação.

Em jogos que o Cruzeiro precisar mais intensamente da velocidade e do contra-ataque vai ficar menos evidente a dificuldade de Ramires em atuar de costas. E quando ele estiver mais avançado, vai sobrar espaço para alguém se aproximar. Se continuar sendo Marquinhos, a tendência é que a média suba, e muito.

domingo, 5 de abril de 2009

Que me desculpe o mineiro, mas o que me atrai é o inglês.

Que me desculpem Cruzeiro e Atlético que precisam passar três meses fazendo o mínimo para evitar surpresas e se enfrentarem nos dois únicos jogos que valem a pena. Que me desculpe o Ituiutaba e seu estádio onde cabem 10 mil pessoas, mas apenas 6700 ingressos podem ser colocados à venda. Que me desculpe o América que não faz gol em sete dos 15 jogos que disputou na temporada. Que me desculpe o Villa Nova que se manteve na “elite” com uma vitória em 11 jogos.

Que me desculpem todos, mas o que me seduz mesmo é o campeonato inglês. No sábado, o embalado Liverpool deu uma aula de repertório ofensivo contra o Fulham e só foi conseguir vencer aos 47 do segundo tempo, alcançando a liderança. No domingo, todas as atenções voltadas para o último jogo da rodada e o Aston Villa, com sede de voltar ao G-4 vencendo o Manchester United, em pleno Old Trafford, até os minutos finais. A vitória dos campeões mundiais, assim como a do Liverpool, só veio aos 47 do segundo tempo, gol de Macheda, garoto de 17 anos, que fazia sua estreia como profissional. Sensacional. Rodada para deixar qualquer torcedor empolgado, e foi só mais uma de tantas outras boas.

É óbvio que não quero aqui comparar qualidade técnica ou poder econômico dos dois campeonatos. Na última rodada do estadual, ninguém sabia quando começariam as quartas-de-final, onde seriam jogadas por questões financeiras, falta de capacidade dos estádios ou o show de Axé. Isso, porque antes de começar o campeonato todos já haviam definido, no regulamento da competição, onde jogariam a fase final, o que não foi cumprido.

O campeonato brasileiro também é emocionante, empolgante, ano passado a média de público foi a maior dos últimos 20 anos,com trocas de líderes – em 2008, o São Paulo só assumiu a ponta na 33ª rodada. A Copa do Brasil poderia ser melhor explorada, mais longa e ter maior qualidade técnica se os times da Libertadores participassem da competição. Eu confesso estar ansioso para ver Corinthians e Fluminense em uma quarta-de-final e Inter x Flamengo na outra. Não seria bem melhor com Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro, Grêmio e Sport? Os grandes jogos começariam já nas oitavas.

O que eu me pergunto é até que ponto vale a pena discutirmos, aqui em Minas, se o árbitro tem que ser de outro estado ou não, se o Villa Nova deve poupar titulares contra o Atlético, se Adilson está certo em não escalar os principais jogadores em todos os jogos. Ficamos reduzidos a isso, enquanto poderíamos ter emoções de verdade, com um campeonato nacional abrangendo mais meses e a Copa do Brasil com mais datas, possibilitando que todos joguem.

Jogos que realmente valem a pena no Brasil, só a partir de agora, em abril. Já perdemos muito tempo, bons jogos, os times já perderam dinheiro, jogadores machucados e patrocínios. Por essas e por outras que, como amante do esporte, prefiro ligar minha TV no domingo pela manhã do que à tarde.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Brasil x Peru: seleção deve vencer, mas não vai convencer.

O que representa para o Brasil vencer o Peru? Muito pouco. na prática, a seleção pode voltar ao segundo lugar nas eliminatórias, mas mesmo que jogue um bom futebol contra o time mais fraco das eliminatórias, dificilmente apagará a má impressão deixada contra o Equador.

É a chance que a seleção tem de, enfim, voltar a marcar no país. A última vez que isso aconteceu, pelas eliminatórias, foi em 21 de novembro de 2007, na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai. Depois, empate sem gols contra Argentina, Bolívia e Colômbia.

O Peru perdeu seis jogos até aqui, cinco deles como visitante. São 17 gols sofridos e só um marcado longe de Lima. Mesmo que tente armar um sistema defensivo mais eficiente, dificilmente conseguirá. O que não significa dizer que a seleção brasileira vai finalmente aprender a vencer adversários que só pensam em não sofrer gols.

O verdadeiro teste está em junho contra Uruguai em Montevidéu e Paraguai, no Brasil. Logo em seguida, Copa das Confederações com a Itália na fase de grupos. Podem não ser as últimas chances de Dunga, mas é, muito provavelmente, a última de Ricardo Teixeira ver se o treinador está pronto ou não para o Mundial.