sábado, 31 de julho de 2010

Fernandão no meio dá novo alento ao São Paulo

O Ceará era o adversário ideal para o São Paulo testar sua capacidade de criar e vencer um adversário que se fecha bem – como deve ser o Internacional no meio da semana. A equipe treinada por Estevam Soares havia sofrido apenas quatro gols na competição. Com Dagoberto e Fernandão poupados, Ricardo Gomes testou Xandão como zagueiro pela direita e Cléber Santana no meio nas vagas de Richarlyson e Rodrigo Souto. Na frente, Ricardo Oliveira tinha a chance de ganhar ritmo de jogo.

No primeiro tempo, o São Paulo foi o mesmo do retorno após o mundial: lento, sem criatividade e com o meio-campo sem dialogar com o ataque. O Ceará se fechava bem e forçava o erro do adversário na saída de bola. Poderia até mesmo ter aberto o placar com Oziel, após falha de Alex Silva e Miranda.

Depois do intervalo, Gomes promoveu Fernandão na vaga de Xandão, com Jean voltando a ser lateral e Hernanes mais recuado, como segundo volante. O São Paulo cresceu. Fernandão como organizador, mais próximo dos atacantes, dá mais lucidez à equipe e faz o time variar mais o jogo. E foi com Fernandão que o Tricolor marcou, após cobrança de escanteio. Um minuto depois, Ricardo Oliveira fez o segundo em contragolpe. O Ceará ainda descontou com Eric Flores, em boa jogada individual.

Se o que Ricardo Gomes queria era um teste, conseguiu. O time mais insinuante, com os atacantes contando com a aproximação dos homens de trás, vê o crescimento de peças importantes como Hernanes que também melhorou com a nova formação. A vitória com a boa entrada de Fernandão é um alento para o que deve acontecer contra o Inter. O esquema poderia ter sido pensado antes, poderia estar mais bem treinado e armado – com Ricardo Oliveira entrando no lugar de Washington ou Fernandinho, por exemplo. Se o São Paulo não está pronto é porque houve erro nos 38 dias em que o clube passou sem jogar, esperando o confronto de quinta-feira.

Raio-X da 12ª rodada

Fluminense x Atlético-PR: Washington volta ao Flu justamente contra o Furacão, clube no qual bateu o recorde de gols no campeonato brasileiro com 34. Nas últimas oito rodadas, a equipe carioca conseguiu seis vitórias e dois empates. Sem Gum, machucado, Muricy arma o time novamente no 4-4-2. Depois de três derrotas seguidas, o Atlético-PR venceu Santos e Goiás. Guerrón deve ser a novidade na equipe, fazendo sua estreia. Ano passado, em meio a reação no final do campeonato, o Flu venceu o confronto por 2 a 1 no Maracanã.
Palpite: Fluminense

Atlético-GO x Guarani: o time goiano está sem técnico depois que Roberto Fernandes foi demitido. Nos quatro jogos em que dirigiu a equipe, Fernandes conseguiu três derrotas e uma vitória, sobre o líder Corinthians. Depois da Copa, o Guarani conquistou dois empates e perdeu duas partidas. Ricardo Xavier perde seu lugar no Bugre e Diogo ganha a vaga. As equipes se enfrentaram na série B de 2009, 2008 e Copa do Brasil de 2007. O Atlético venceu as três jogando no Serra Dourada. Ano passado, goleada por 4 a 1, destaque para Elias que marcou dois em 30 minutos.
Palpite: empate.

São Paulo x Ceará: depois da Copa do Mundo, o São Paulo jogou cinco vezes, perdeu quatro e empatou uma, o Ceará empatou quatro e perdeu uma vez nas últimas cinco partidas que disputou (contando o empate com o CSA pela Copa do Nordeste). Ricardo Gomes não vai poupar jogadores pensando na Libertadores. Pelo contrário, vai aproveitar a partida para dar conjunto ao time. Cléber Santana ganha a vaga de Richarlyson e Xandão entra na vaga de Rodrigo Souto. Com uma vitória e três empates em cinco partidas como visitante, o Ceará tem o terceiro melhor desempenho fora de casa do campeonato.
Palpite: São Paulo

Palmeiras x Corinthians: dez pontos separam o líder Corinthians do rival, 10º colocado. Nos últimos dez clássicos, o Palmeiras venceu seis, o Corinthians dois e aconteceram ainda dois empates. A partida marca a estreia de Adilson Batista no clube alvinegro. Em Minas Gerais, nos 11 clássicos que disputou, sete vitórias e uma derrota. A equipe alviverde não terá Léo e o Corinthians não conta com Roberto Carlos e Dentinho. A única partida vencida pelo Palmeiras pós-Copa foi justamente um clássico: contra o Santos. A equipe ainda não venceu sob o comando de Felipão.
Palpite: empate.

Vitória x Botafogo: embora a equipe baiana tenha sete posições de vantagem para o adversário, apenas dois pontos separam as equipes. Ânderson Martins e Egídio devem ser os únicos titulares escalados por Ricardo Silva que pensa no confronto com o Santos no meio da semana. Maicosuel reestreia no Botafogo e Joel Santana deve voltar ao 4-4-2 escalando Fahel como volante ao lado de Leandro Guerreiro. O Bota não vence desde a terceira rodada. Nos últimos dez jogos entre as equipes em Salvador, o rubro-negro venceu sete e o Botafogo um. No ano passado, Vitória 4x3 Botafogo – com gol de Apodí aos 44 minutos do segundo tempo.
Palpite: Botafogo

Avaí x Goiás: o time catarinense vem em grande fase depois da Copa do Mundo com vitórias sobre São Paulo e Palmeiras e empate contra Flamengo e Atlético-MG. Sem o volante Marcinho Guerreiro, suspenso, Antônio Lopes escala o Avaí com um atacante a mais: Vandinho começa como titular pela primeira vez desde seu retorno ao clube. O Goiás não terá Emerson Leão à beira do campo, além de Romerito e Rafael Moura, suspensos. Otacílio Neto ganha nova chance. Nas quatro rodadas após a Copa do Mundo, o Goiás ainda não venceu e só marcou gols em um jogo.
Palpite: Avaí

Internacional x Grêmio: Celso Roth escalará o time reserva do Inter, pensando no jogo da Libertadores. Em 2009, Roth foi demitido do Grêmio pelo desempenho ruim em Gre-nais, perdeu quatro e empatou três nos sete disputados. O reserva dos colorados contam com Rafael Sóbis e Renan que precisam ganhar ritmo de jogo. Giuliano, heroi da classificação contra o Estudiantes e da vitória sobre o Sào Paulo também joga. No Grêmio, Silas gostou da formação que empatou com o Cruzeiro em Minas Gerais e repete o time – a exceção de Fabio Rochemback, machucado, que dá lugar a Ferdinando. Hugo será ala pela esquerda e Maylson pela direita. Na última rodada, gols de Borges (17 na temporada) e Jonas (26 em 2010), principais esperanças da equipe no clássico.
Palpite: Grêmio

Atlético-MG x Cruzeiro: no Galo, Luxemburgo testou o 3-5-2 e 4-4-2 durante a semana. Ricardo Bueno, Fabiano e Obina ainda são dúvidas para a partida. O Cruzeiro não conta com Henrique, Roger e Gilberto dificilmente jogarão. Edcarlos deverá fazer sua estreia. No primeiro turno do Brasileiro ano passado, vitória do Atlético por 3 a 0 contra os reservas do rival. Zé Carlos, do Cruzeiro, foi expulso aos 7 segundos de jogo. Por questões de segurança, o clássico em Sete Lagoas terá torcida apenas do Atlético, mandante do jogo. Pior defesa do campeonato com 21 gols, o Galo não sofreu gol pela primeira vez no campeonato contra o Avaí, na última rodada. Wellington Paulista volta ao time do Cruzeiro após cumprir suspensão.
Palpite: empate.

Grêmio Prudente x Santos: o Prudente está na zona de rebaixamento, mas perdeu apenas uma vez nos últimos nove jogos. Seis empates no campeonato, empacam a equipe na 18ª colocação. Ânderson Luís e Flavinho não jogam porque estão sendo negociados. O Peixe terá 10 reservas, dos titulares apenas Rafael, goleiro, começa o jogo. Marquinhos, que marcou o segundo gol contra o Vitória, será o camisa 10. Fora de casa, o Santos venceu um jogo, empatou dois e perdeu três no campeonato. Na história, seis jogos entre as equipes, uma vitória do Prudente, três empates e dois triunfos santistas. Esse ano, 5 a 0 para o time de Dorival na Vila Belmiro.
Palpite: G. Prudente

Flamengo x Vasco: Rogério Lourenço ainda não sabe se poderá contar com Petkovic, machucado. Val Baiano começa pela primeira vez como titular. O único jogo que vence depois da Copa foi um clássico: 1 a 0 no Botafogo. No Maracanã, o Fla conquistou duas vitórias em seis partidas e tem o 15º aproveitamento como mandante. O Vasco conta com o reforço dos “estrangeiros”. Felipe e Zé Roberto começam jogando, Éder Luís e Carlos Alberto sentam no banco. A equipe cruz-maltina vem de duas vitórias seguidas atuando em São Januário. Dois jogos em 2010 e duas vitórias rubro-negras. Em campeonatos brasileiros, a última vitória vascaína foi em 2006: 3 a 1.
Palpite: Vasco

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Atlético x Cruzeiro: propostas, dúvidas e o favorito.

Cuca não tem dúvidas: vai para o clássico com três zagueiros, sendo Fabinho improvisado no setor. Mas o treinador não tem também armadores: Gilberto e Roger lesionados e Montillo, ainda na Universidad do Chile, seriam as opções. Sem um jogador criativo no meio, o Cruzeiro aposta na força dos laterais e o esquema com três defensores visa liberar Jonathan e Diego Renan para jogar em cima de Fernandinho (ou Leandro) e Diego Macedo, que marcam mal.

Quando atuou com Fabrício, Éverton e Marquinhos Paraná no meio-campo, o trio que atuará no domingo, Fabrício foi o homem mais avançado contra o Grêmio, dando mais velocidade na saída de bola. Paraná passa melhor a bola e organiza o jogo da Raposa. Quando o Cruzeiro tiver a bola, Marquinhos será o armador, quando for contra-atacar, Fabrício será o acionado.

O Cruzeiro é esse. Caso Caçapa se recupere, ganha a vaga de Edcarlos na defesa. Já o Atlético...

O time de Vanderlei Luxemburgo é uma infinidade de interrogações. Na quinta-feira, a imprensa viu a equipe treinando no 3-5-2, o que pode ser um blefe, uma vez que o time foi muito mal com esquema contra o Avaí e melhorou quando um dos zagueiros foi sacado. Vanderlei aprovou Serginho como primeiro volante e a tendência é que Zé Luís siga no banco com João Pedro, Fabiano e Ricardinho completando o meio-campo. Na frente, Diego Tardelli e Diego Souza – que vai para seu terceiro jogo, na terceira função diferente.

Essa é linha de pensamento mais provável para a formação da equipe. Mas Ricardo Bueno pode entrar no ataque e Diego Souza ser recuado, Zé Luís ganhar a vaga de Fabiano no meio, Werley formar trio defensivo com Campos e Cáceres e ainda Leandro retornar ao time no lugar de Fernandinho. A escalação imaginada é parecida com a do segundo tempo contra o Internacional, quando o time tinha a posse de bola, mas dava campo para o adversário contragolpear.

A partir daí, começa-se a desenhar o que será o jogo. O time de Luxemburgo atacando e o de Cuca apostando na velocidade de Thiago Ribeiro, dos alas e de Éverton e Fabrício. Hoje o Cruzeiro conta com um conjunto melhor, mas tem mais peças para anular do que o rival. Dessa vez, sem medo de ficar em cima do muro: não há favorito.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eduardo Maluf pode ser o novo diretor da CBF.

Eduardo Maluf nem bem chegou e já pode estar de saída do Atlético. O ex-diretor de futebol do rival Cruzeiro teria sido convidado pela CBF para assumir o cargo de Américo Faria frente à seleção brasileira. Como diretor, Maluf colecionou bons negócios na Raposa e foi apontado como responsável pelo sucesso nas negociações de Diego Souza e Réver, contratados pelo alvinegro.

Conhecido por comprar bem e vender melhor ainda, a principal virtude de Eduardo Maluf é o poder de observação de atletas e os contatos dentro do futebol brasileiro e da Confederação Sul-Americana. Foi a partir desses contatos e observação que Maicon em 2001, Luisão também 2001, Gomes em 2002 e Ramires em 2007 foram parar na Toca da Raposa. Além deles, Guilherme, Marcelo Moreno e outros jogadores passaram pelo Cruzeiro como jovens provenientes de outro estado e que se transformaram em pelo menos bons negócios para a equipe mineira.

Maluf conhece de futebol, é um dos dirigentes que melhor conjuga o verbo “planejamento”. Por enquanto, segue como empregado do Atlético e evita falar sobre o assunto durante a semana do clássico regional. O presidente Alexandre Kalil disse apenas que “só se pronuncia depois que Maluf tomar sua decisão”.

Caso confirme a informação, Mano Menezes ganha um ótimo braço direito. Alguém que sabe fazer a mediação entre diretoria e comissão técnica. Com Maluf, a seleção brasileira será muito bem pensada.

Santos perto do título, mas última goleada sofrida foi no Barradão

O Santos da final da Copa do Brasil lembrou o time do primeiro semestre. Lembrou... Isso porque faltou ao time paulista a capacidade de definir que possuía antes da Copa do Mundo. A partida ruim de André e o pênalti desperdiçado por Neymar ajudam a maquiar o volume de jogo do Peixe. Pelo domínio e chances que teve, a equipe de Dorival Júnior poderia ter saído da Vila Belmiro com o título da Copa do Brasil praticamente assegurado.

O Vitória só ocnseguiu se defender. Praticamente não teve forças para deixar seu campo e marcar pelo menos um gol – feito que apenas o Naviariense não conseguiu jogando na Vila nesta Copa do Brasil. Ricardo Silva terá que preparar sua equipe para vencer por três gols de diferença.

A última vez que o Santos foi derrotado por essa diferença de gols foi há mais de um ano: em 12 de julho de 2009, quando perdeu para o Vitória por 6 a 2 no Barradão pela 10ª rodada do campeonato brasileiro. Jogo em que Paulo Henrique Ganso marcou seu primeiro gol fora de São Paulo.

Sobre o pênalti de Neymar: um erro em uma cobrança, nada mais. Quando Zidane faz o mesmo em uma final de Copa do Mundo não é molecagem ou desdém, então quando o atacante do Santos repete o estilo da batida em uma final de Copa do Brasil também não pode ser. Méritos para o goleiro Lee que esperou a cobrança correndo o risco de não ter tempo de alcançar uma bola no canto.

São Paulo só sobrevive porque pode jogar mais.

O Internacional fez uma partida no mesmo nível desde que retornou da pausa para a Copa do Mundo. Tentou variar jogadas, colocou velocidade e abafou o adversário em seu campo com marcação de Taíson, Andrézinho, Alecsandro e D’Alessandro. O São Paulo também jogou do mesmo jeito: muito mal. A diferença da semifinal contra o Inter, para as vitórias na fase anterior contra o Cruzeiro foi a capacidade de ter a bola nos pés.

Nas quartas-de-final, quando recuperava a posse de bola, o time paulista conseguia aproximar Dagoberto de Fernandão e os dois de Marlos e Hernanes. Júnior César tinha campo para jogar. No Beira-Rio nada disso aconteceu, em momento algum, e o time gaúcho só não deixou a classificação muito encaminhada ainda no primeiro confronto porque não conseguia furar o bloqueio da defesa adversária.

Em que pese não ter assustado o gol do Internacional, o São Paulo conseguiu se defender bem e evitar derrota por mais gols. Na partida no Morumbi, para chegar à final, a equipe de Ricardo Gomes terá que anular o bom futebol do Colorado e mais do que isso: vai precisar jogar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mano acertou mais do que errou, mas convocados vão precisar amadurecer muito.

Mano Menezes precisava renovar a seleção, grupo envelhecido deixado como legado da Copa de 2010. A primeira lista do novo técnico não visa o jogo contra o Estados Unidos no dia 10, a mira é Londres em 2012 e, principalmente, o Mundial de 2014. Por isso, é fácil entender que jogadores com 27 anos ou mais dificilmente terão chances, com poucas exceções. Júlio César já tem 30 anos e certamente será chamado, assim como Fábio, da mesma idade, deveria ter sido. Ronaldinho Gaúcho terá 34 anos na próxima Copa e dificilmente vitalidade para jogar. Pode ser o caso de Maicon, hoje com 29 anos.

As apostas de Mano são jovens, Dani Alves, André Santos, Victor e Jefferson têm 27 anos cada um, os mais velhos. A convocação é boa, traz esperança ao torcedor que queria criatividade, talento e até mesmo identificação nacional com o time – onze dos convocados estão no futebol nacional.

O senão fica por conta das convocações de Jefferson e Jucilei., O volante foi titular em 20 dos 39 jogos do Corinthians (de Mano Menezes) na temporada, enquanto Elias começou jogando em 32. Jucilei tem 22 anos e não terá idade Olímpica nos jogos de Londres.

Nomes a se discutir não faltarão nos próximos quatro anos e a questão a se pensar agora é outra. A esperança da seleção está nos pés de uma geração talentosa, mas que ainda não é consistente. Neymar, Ganso e André fizeram um primeiro semestre fabuloso, mas precisam evoluir muito até a Copa. Em 2002 Ronaldinho Gaúcho, titular do time, tinha 22 e já era uma realidade. Em 1998 Ronaldo já era o melhor do mundo duas vezes aos 21, Romário foi para o PSV com 22 e já como grande artilheiro do Vasco no final dos anos 80.

Dos jogadores que despontaram no Santos no time campeão brasileiro de 2002, e vice nacional e da Libertadores no ano seguinte, quem mais se aproximou de ser protagonista no futebol mundial foi Robinho quando chegou, mas fracassou, no Real Madrid. Diego foi bem em um clube médio da Alemanha, mesmo caso de Renato na Espanha e Elano na Inglaterra. Alex não tem destaque, nem titularidade absoluta no Chelsea.

Aquele time do Santos viveu grande fase por um ano e meio, os novos “meninos da Vila” têm apenas seis meses de talento inquestionável. O último jogador avançado de nível mundial nascido no Brasil foi Kaká que já está com 28 anos. Da nova safra, Pato é o mais experimentado com 73 jogos pelo Milan, onde marcou 41 gols e já tem experiência aos 20 anos.

Repito: a lista de Mano é boa, possui qualidade técnica. O que preocupa é se daqui a quatro anos, teremos mais uma vez um time de coadjuvantes. Precisamos dos artistas principais, do tão exaltado talento brasileiro. Precisamos que os meninos tratem de crescer e para isso, a seleção parece ser um bom lugar.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A parada para a Copa e o Inter favorito contra o São Paulo

Internacional e São Paulo começam a decidir essa semana uma vaga na final da Taça Libertadores. O time paulista vivia, em junho, um grande momento. Havia vencido o Cruzeiro duas vezes, o Palmeiras e o próprio Inter (no Beira-Rio). Já o Colorado chegou entre os quatro melhores da América eliminado o Banfield, campeão argentino, e o Estudiantes, campeão da Libertadores, mas sem nenhum brilho. Aliás, precisava de lampejos individuais dos jogadores para decidir os jogos.

Em muitos momentos de 2010, Jorge Fossati e Ricardo Gomes, técnicos do primeiro semestre, foram questionados. A diretoria do clube gaúcho bancou a troca, mesmo sem ter um técnico em vista. O São Paulo manteve o comandante, mesmo sem contrato. Mais quatro jogos, chega-se às vésperas da decisão e o quadro é o contrastante. O Internacional vem de quatro vitórias seguidas no campeonato brasileiro e tem o elenco reforçado por Tinga, Rafael Sóbis e Renan. O São Paulo conseguiu um ponto no mesmo período, perdeu Cicinho, mas poderá ter Ricardo Oliveira, em condições físicas não ideais, no segundo jogo.

Com Celso Roth no comando, o Inter passou a jogar no 4-2-3-1, com Taíson, de volta ao time e jogando bem, como um meia-atacante pela esquerda, D’Alessandro pela direita e Tinga centralizado. À frente dessa linha, Alecsandro e atrás dela Guiñazu e Sandro. O time ganhou consistência, os meias acompanham os laterais adversários, o Inter não dá espaços e sufoca o oponente. É um time que marca melhor do que na época de Fossati, tem o contragolpe mais rápido e é mais criativo e insinuante no meio.

Para derrotar a equipe gaúcha, o São Paulo precisará provar o discurso de que realmente está desmotivado no Brasileiro e mais preocupado com a Libertadores. Mais do que isso, vai ter que bater um adversário em evolução e em grande fase.

domingo, 25 de julho de 2010

A lealdade de Muricy e a obediência de Felipe Massa.

Na sexta-feira, Muricy Ramalho disse sim à seleção, mas obedeceu a seu empregador que negou libera-lo. Pode ter perdido a chance de sua vida de se tornar o técnico da equipe brasileira na Copa que será realizada no país e com a maior expectativa já vivida pela seleção. No domingo, Felipe Massa obedeceu a seu empregador e deixou de conquistar sua primeira vitória desde o impressionante acidente vivido por ele em 2009.

De um modo ou de outro, alguém pode julgar: “os dois se submeteram à vontade das empresas e não pensaram no melhor para eles”. Os mais exaltados, dirão que Massa e Muricy não levaram em conta “o melhor para o país”. Mas há uma diferença fundamental entre os dois.

Muricy Ramalho, ao acatar a decisão do Fluminense, estava dando um exemplo aos seus filhos. Em que pese não ter a segurança da CBF de que permaneceria até 2014 no cargo, Muricy também não tem essa garantia do time carioca. Optou pela lealdade e pode pagar caro por isso, o futebol nem sempre é leal e a diretoria do Fluminense irá demiti-lo se julgar necessário. Mas o exemplo aos filhos foi dado.

O episódio de domingo no qual Felipe Massa permitiu ultrapassagem de Fernando Alonso não deixa nenhuma lição. O que o piloto brasileiro está ensinando ao seu filho recém-nascido? Massa perdeu a chance de ser um provável desempregado, mas com espírito de vencedor. Todo funiconário deve obedecer a hierarquias e prestar contas ao chefe. Isso até certo ponto. Ponto que distingue fazer o certo e arcar com as consequências ou fazer o que se espera e não ser cobrado.

Muricy ensinou o que é ser leal, acima dos próprios interesses. Massa ensinou o que é ser obediente, abaixo da própria dignidade.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Muricy Ramalho: a nova cara da seleção pode ser ranzinza, mas é vencedora.

Depois de boas campanhas com o Internacional nos campeonatos brasileiros em 2003 e 2005 e três títulos pelo São Paulo, Muricy Ramalho chega à seleção. Assim como todo treinador que alcança tal posto, logo será criticado. Seus times jogam no 3-5-2, esquema já defasado no futebol internacional, é um técnico retranqueiro e que não valoriza o jogo bonito. Por que então chamar Muricy? Porque Luís Felipe Scolari estava indisponível e também porque os resultados no futebol brasileiro são incontestáveis.

É preciso aqui separar o lugar-comum dos fatos. Muricy Ramalho disputou, do início ao fim, cinco dos sete campeonatos brasileiros por pontos corridos. Teve o melhor ataque uma vez, em 2006, e ficou um gol atrás do Flamengo em 2008. As equipes comandadas pelo treinador fazem gols, sabem atacar, mas se defendem melhor. Dos cinco campeonatos, conseguiu ter a defesa menos vazada em quatro oportunidades: 2005, 06, 07 e 08. Em 2003, foi a quarta melhor.

O perfil mais justo do novo técnico da seleção brasileira é de saber montar equipes competitivas. Não são, em sua maioria, times envolventes, rápidos e atraentes ao público, mas Muricy ajudou a revelar Nilmar e Daniel Carvalho no Inter, Alex Silva, Breno, Hernanes e Jean no São Paulo. Trabalha bem com jovens e proporciona jogo a quem tem talento.

A seleção, tomando por base o histórico do novo técnico, não deve ser plasticamente a mais bonita de se ver, mas terá qualidade, conjunto, força e mais recursos que tinha o time de Dunga. Se você está torcendo o nariz para o que vem por aí, lembre: em 2002, o Brasil foi campeão do mundo com um técnico de perfil parecido. O time tinha três zagueiros e dois volantes. Mas venceu os sete jogos e marcou 18 gols.