quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Só futebol salva o Atlético, mas comprometimento ajuda

“Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária não perdia uma”. A frase é do lendário Neném Prancha, ex-roupeiro do Botafogo. Neném estava absolutamente correto. Não é a concentração de 15 dias que vai fazer o Atlético se livrar da zona de rebaixamento. A equipe mineira perdeu 13 dos 22 jogos que disputou devido exclusivamente ao mau futebol, e só com bola o Galo vai sair de onde se alojou desde a nona rodada.

Não se deve esquecer a discussão sobre o projeto, única razão para manter Vanderlei Luxemburgo empregado. A má fase de Diego Tardelli, a improdutividade de Diego Souza e a saída mal planejada de algumas peças também não. Tudo isso deve ser colocado na balança ao final do ano, quando será possível medir o tamanho do fracasso - que pode não acontecer, como já dito aqui anteriormente, caso o Atlético vença a Sul-Americana e não se reencontre com a segunda divisão.

A pergunta hoje na Cidade do Galo deve ser outra: como afastar o clube de um novo rebaixamento? Concentração não vai salvar ninguém, mas é mais fácil acreditar na reação de um grupo comprometido do naquele fantasioso que acreditava ser culpa da manteiga, do despertador ou qualquer metáfora que soava mais como desculpa e fuga dos problemas reais que batiam à porta.

No discurso, o Atlético acordou a tempo. Quando se conhece o problema, fica mais fácil enfrentá-lo. Falta agora o futebol.

Arrancada do Cruzeiro é boa para o campeonato

O Cruzeiro chegou na luta pelo título. As seis vitórias nas últimas sete rodadas colocaram o time de Cuca a um ponto do líder. A equipe mineira tirou 11 pontos de desvantagem em relação ao Fluminense. Contra o Guarani, a Raposa foi inteligente para sair do esquema 3-6-1 armado por Vágner Mancini com Mazola a frente, Mário Lúcio e Apodí chegando em velocidade. No primeiro gol, Rômulo aparece como centroavante e no segundo, o lateral vem pelo meio, descobrindo Montillo nas costas de Marcio Careca.

Inteligente no primeiro tempo e relapso no segundo. A ponto de permitir o empate do Bugre em cinco minutos mesmo com um jogador a menos - Mazola foi expulso em lance de extremo rigor do árbitro Wallace Nascimento Valente no final do primerio, que depois anulou um gol legal de Thiago Ribeiro no segundo.

Os gols de Fabinho e Farías deram a vitória à Raposa. Vitória que poderia ter sido mais tranquila tivesse aproveitado as incríveis chances perdidas. Oportunidades criadas quase sempre por Montillo ou Thiago Ribeiro. O argentino foi brilhante mais uma vez e Thiago oferece opção de jogada durante todo o jogo. O time que oscilou e sofreu a reação tinha, em campo, sete reservas: Rafael, Rômulo, Pablo, Fabinho, Éverton, Walysson e Farias. A diferença de um Cruzeiro para outro passa sim pelas mudanças, pelos eros de finalização, mas também pela acomodação e pela bravura do Guarani.

Apesar do susto, os 70 minutos de bom futebol superam os 20 de tensão na Arena. 20 minutos podem ser fatais em outras circunstâncias e Cuca sabe disso. Na briga pelo título, o jogo deixa claro que o treinador tem problemas a corrigir, mas tem também soluções para vencer. O Cruzeiro entra na disputa, e o campeonato agradece.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os melhores do mundo e um extraterrestre

Em dezembro, o Barcelona perderá o posto de melhor time do mundo quando algum Inter ou um azarão vencer o mundial. Ao olhar para a escalação de Guardiola na partida de abertura da Liga dos Campeões, é possível afimar: o Barça é o melhor do mundo. Seja de clubes, seja de seleções. Sete titulares da Espanha que venceu a Copa do Mundo (contando Pedro que ganhou lugar entre os 11 da Fúria na semifinal) começaram o jogo contra o Panathinaikos. Espanhois reforçados por um extraterrestre que nasceu na Argentina.

Messi fez dois gols, participou de mais dois, acertou a trave, sofreu e perdeu um pênalti, passou a bola entre as pernas de Boumsong, colocou Pedro, Villa, Dani Alves, Iniesta e quem mais se ofereceu na cara do gol. O placar foi 5 a 1 – de virada após Govou abrir o placar para os gregos. Fosse oito não seria exagero.

Depois de vacilar no final de semana diante do forte Hécules (perdão leitor, não resisti ao trocadilho) sem Busquets, Xavi, Puyol e Dani Alves, Guardiola voltou a contar com os titulares e o time catalão imprimiu seu ritmo. A diferença gritante de uma partida para outra deixa claro ao treinador: quem chega ainda não sabe brincar de Barcelona. Brincadeira que espanta nos números: 74% de posse de bola e 20 finalizações contra uma do adversário.

O Panathinaikos é o atual campeão grego. Pouco, é verdade. Mas basta lembrar que o Barça pode fazer isso com as equipes mais fortes do mundo. Fruto de um grande trabalho do treinador, fruto da qualidade reconhecida em todo o planeta de Xavi e Iniesta. Acima de tudo, fruto do talento do extraterrestre Lionel Messi.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O brilho de Obina foi suficiente...e só.

Ainda não foi contra o Grêmio Prudente que o Atlético deu mostras que o bom futebol pode aparecer. Embora tenha tido a bola nos pés durante quase todo o jogo, com a equipe paulista se resumindo à defesa e raras finalizações de média distância, o Galo foi pouco perigoso. Uma bola na trave no primeiro tempo e duas boas defesas de Giovani em cabeçadas de Fabiano e Werley, além do belo gol de Obina – já aos 42 da etapa final.

Por um lado, alívio pelos quatro pontos (um contra o Vasco e mais três domingo) conquistados em partidas que até o final se desenhavam bem diferentes. Por outro, a preocupação pelas atuações seguidamente ruins. A jogar como o fez na Arena do Jacaré, o Atlético não vencerá a maioria dos seus jogos e seguirá ameaçado de rebaixamento até o final do ano. Três pontos contra o Grêmio Prudente valem o mesmo tanto do que vitórias sobre Corinthians ou Fluminense. Para salvar o ano, o Atlético precisa de mais. Precisa de futebol.

A relação custo-benefício dos investimentos feitos só irá valer a pena caso Vanderlei Luxemburgo consiga conquistar a Sul-Americana e ser melhor que o 17º colocado no campeonato brasileiro. Vale mais a pena vencer a competição continental e apenas não ser rebaixado no nacional do que ser vice-campeão brasileiro após boa campanha durante sete meses.

No entanto, para conseguir o título e a vaga na Libertadores da América no ano seguinte, o Galo vai precisar melhorar. Mostrar jogo coletivo, entrosamento, melhor desempenho de nomes como Diego Souza, Tardelli e Serginho. A estrela de Obina, sozinha, não será o suficiente para dar o brilho que a equipe precisa. Quando estiver mais próximo de ser um time, o Atlético será mais confiável. Ainda não.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Atlético não sabe qual o gosto do empate em São Januário

Vencer o Atlético era obrigação. Na conta dos vascaínos, que tinham 18 jogos contra 20 da maioria, a diferença deveria ser feita contra o Corinthians. A partida em São Januário, contra um rebaixável, era dever de casa. Para os atleticanos, a conta a se fazer era conquistar 30 pontos nos 57 possíveis e se manter na primeira divisão. Vanderlei Luxemburgo apostou em fechar o time, esperar o erro dos vascaínos e sair em contragolpe.

Sem Felipe, Carlos Alberto e Zé Roberto, o time carioca certamente erraria mais e ofereceria campo ao Galo. Mas Vanderlei errou. Jogando em velocidade, deixou Neto Berola, único atacante rápido da equipe, no banco. O gol de Éder Luís sai na única alternativa que o Vasco, sem criatividade, tinha de finalizar em um adversário recuado: de fora da área.

No segundo tempo, o Atlético tinha mais posse de bola e velocidade com as entradas de Ricarinho e Neto Berola. Não criava e só finalizou quatro vezes: duas de falta, uma de pênalti e apenas uma com a bola rolando, já aos 41 minutos. O Vasco tinha o contra-ataque para matar o jogo, mas não tinha quem puxá-lo. Éder Luís não recebia o passe com qualidade e depois que saiu, machucado, a chance do segundo gol acabou. O empate do Atlético vem em pênalti infantil de Titi sobre Daniel Carvalho pela direita do ataque – pelo outro lado Dedé, mais uma vez, não perdeu uma jogada.

O resultado tem sabor amargo para os cariocas que perdem contato com o pelotão da frente após mais um empate. A indignação de PC Gusmão com a arbitragem depois do pênalti marcado não faz sentido. Sete empates em 12 jogos dão ao técnico mais motivos para se irritar. O Atlético só saberá se o resultado foi bom ou ruim no final do campeonato. Em condições normais, empatar com o Vasco em São Januário é um bom resultado. Em situações normais. A conta passa a ser conquistar 29 pontos em 54 restantes. O óbvio, também é válido: nas pretensões do Vasco um ponto é muito pior do que três. Para a situação do Galo, um ponto já é melhor do que nenhum.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sem Montillo, Cruzeiro perde brilho, mas segue consistente

Contra o Internacional, Cuca não tinha Montillo. O Colorado não contava com D’Alessandro. A ausência do argentino representa a secura de criatividade no meio-campo das duas equipes. A alternativa era a movimentação e foi assim que o Cruzeiro saiu na frente com Éverton se projetando às costas de Nei e aproveitando brilhante passe de Jonathan. Diante do Inter, Cuca mostrou mais uma vez o que o destaca no início de trabalho em Minas Gerais: a capacidade de anular o adversário.

Thiago Ribeiro e Jonathan não deixaram Kléber avançar, Marquinhos Paraná e, especialmente, Henrique desarmavam com precisão e tiraram Tinga e Giuliano do jogo. A primeira falta da equipe mineira foi cometida aos 30 minutos e o Colorado finalizou apenas uma vez no primeiro tempo.

Nos 20 minutos finais do jogo, o Inter ganhou mais posse de bola, Giuliano recuava para buscar o jogo e Tinga se projetava mais. Mesmo assim, o time gaúcho quase não ofereceu perigo. Poderia ter chegado ao empate no pênalti de Gil sobre Leandro Damião, não marcado pelo árbitro – que deixou de expulsar Guiñazu, minutos antes. Ao Cruzeiro faltou mais força nos contragolpes para definir a partida. O time de Cuca venceu sete vezes, seis por um gol de diferença. Com muitos empates e poucos gols de saldo, os mineiros sempre estarão em desvantagem em critérios de desempates, a continuar assim.

A partida é a primeira derrota contundente de Celso Roth no Internacional que administrou o 2x1 diante do São Paulo e atuou com o time reserva no 3x0 aplicado pelo Fluminense. A equipe gaúcha tem condições de brigar na parte de cima enquanto quiser pensar em campeonato brasileiro. O Cruzeiro chega a quarta vitória em cinco jogos. A arrancada mineira tem a cara do time: consistente. É essa regularidade, aliada ao brilho que Montillo oferece a equipe, que dá a ideia que a Raposa pode ainda sonhar alto no campeonato.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É batendo que se resolve, presidente?

“Acho que os jogadores têm que se cuidar sim. O Atlético não é brinquedo. E se tomarem um cacete na madrugada não vai fazer mal nenhum". A frase é do presidente Alexandre Kalil e não foi retirada de um contexto ou coisa do gênero. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o presidente disse exatamente o que se lê: é a favor que a torcida agrida os jogadores.

Até então, este blogueiro não criticou o presidente pelo fato de o Atlético estar há dez rodadas seguidas na zona de rebaixamento. Kalil manteve Diego Tardelli, goleador do Brasil em 2009 com 42 gols. A torcida queria um técnico de ponta, ele foi buscar o maior vencedor do futebol brasileiro nas últimas décadas. Faltava um armador, trouxe Diego Souza, melhor jogador do último brasileiro. A defesa ia mal, contratou então Rever, nome indiscutível. Na semana passada, Kalil reiterou como a troca de treinador pode ser maléfica e que não quer cometer os erros do passado (um técnico não termina um campeonato brasileiro e começa o seguinte pelo Atlético desde Jair Pereira em 1991-92).

Kalil fez a sua parte. Inegável. Até a página dois. É abominável pensar que o dirigente que representa uma torcida passional como todas, porém mais apaixonada do que muitas, apóie tal tipo de atitude. O presidente é o torcedor máximo do clube. É ele quem pede paciência nos momentos ruins, quem define o preço dos ingressos, quem tem o poder de contratar quem a massa pede. Quem desejava agredir algum jogador, tem agora o aval do presidente da instituição.

Dar um “cacete” em jogador não fará o time jogar melhor. Não vai fazer Fábio Costa, Diego Macedo, Werley, Fabiano ou Ricardo Bueno serem o que nunca foram. Não vai fazer Vanderlei Luxemburgo voltar atrás e não mudar nove jogadores do time titular em três meses. Não vai fazer o treinador parar de errar nas substituições. Imagine que Diego Tardelli (o exemplo do atacante vem apenas porque é o principal jogador da equipe) está em um bar bebendo um refrigerante. O torcedor vê, pensa que é Cuba bre, não gosta e decide “dar um cacete” no atacante. Tardelli de perna quebrada valerá menos, ajudará nada e não irá tirar o clube da zona de rebaixamento.

Quebrar a perna é um exagero? Pois Kalil não disse que tem que bater pouco. Nem muito. Disse apenas que não há problema nenhum. De tudo que o Atlético não precisa neste momento, um presidente que apóia que seus funcionários sofram na pele a ira da torcida é a maior delas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cruzeiro: a vitória de quem pode mais

Em 2003, Cuca assumiu o Goiás que vinha mal sob o comando de Candinho. Tentou mudar o time e, sem sucesso nos primeiros jogos, recebeu um telefonema: era Luís Felipe Scolari, seu treinador no Juventude e Grêmio. Felipão aconselhou o ex-meia: “sua primeira preocupação deve ser parar de perder. Coloque quatro zagueiros, quatro volantes. Empate. Depois veja o que dá para ser feito”.

O que Luís Felipe tem tentado fazer é exatamente isso. Escala três zagueiros, cinco volantes e aposta ou em jogadas individuais de Kléber e Valdívia, ou em bolas paradas de Marcos Assunção. E foi assim que o Palestra Paulista saiu na frente. Começou pensando em não perder e isso passava por não deixar Montillo jogar. Missão cumprida com maestria por Pierre na etapa inicial. O primeiro gol saiu em pênalti infantil de Wellington Paulista que Kléber convertou. Três minutos depois, Maurício Ramos ampliou.

Para mudar o jogo, Cuca sacou Gil para colocar Roger e tirar de Montillo o peso solitário da armação. Tirou Wellington Paulista – que não marca há cinco jogos – e promoveu Farias. O time de Scolari voltou ainda mais recuado, armando o bote, mas não assustava em nenhum contragolpe. A contusão de Marcos aos 10 minutos e o gol de Roger aos 14 fez o Palmeiras acusar o momento. Montillo se aproveitou e em assistência perfeita de Roger empatou cinco minutos depois. Roger ditava o ritmo e o Cruzeiro evitava faltas próximas à área. Neutralizou assim um Palmeiras que não possui a miníma inspiração. Em bola recuperada no campo de ataque, Thiago Ribeiro encontrou Farias para virar o jogo.

Primeira vez no campeonato que o Cruzeiro marcou três gols. Quarta vitória fora de casa do terceiro melhor visitante do campeonato. Enquanto isso, o Palmeiras não acontece. Felipão tenta não perder. Pode ser pouco, mas é o que é possível no momento. O Cruzeiro pode mais. Pode vencer fora de casa e encurtar a diferença do líder para sete pontos. Ano passado, ao final do primeiro turno, o Flamengo tinha oito de desvantagem para o líder. Precisou fazer 38 pontos na segunda metade do campeonato para ser campeão. Se o Palestra mineiro quiser sonhar mais alto, a conta é essa.

Atlético erra e oferece jogo ao São Paulo

As campanhas vacilantes de São Paulo e, principalmente, Atlético no campeonato davam pistas do que seria o jogo no Ipatingão: partida de erros. Assim começou Fábio Costa, no gol de Casemiro. Assim fez Casemiro, no pênalti que resultou no segundo gol de Obina. No segundo tempo, o São Paulo, em desvantagem, mudou. Não só pela saída de Júnior César para a entrada de Cléber Santana, o que deslocou Richarlsyon – melhor em campo – para a lateral.

A mudança tática de Baresi ajudou o São Paulo a ganhar, mas se o Tricolor foi um time que ofereceu menos chances, o mesmo não pode ser dito do Atlético. Eron e Jataí falharam de forma infantil nos dois gols do segundo tempo. A alteração de Barsei fez, por alguns momentos, que o São Paulo parasse de depender apenas de jogadas individuais. O time esperava por Richarlyson, o procurava em campo, e o lateral não recebia devida atenção de Diego Macedo, lateral atleticano. O gol da virada sai em jogada individual de Marcelinho, pelo lado direito do ataque, contando com a falha de Jataí.

O Atlético, sem poder contar com Diego Souza e Tardelli, não tinha o que fazer além de esperar uma falha que não aconteceu. Quando Vanderlei Luxemburgo precisou mudar o jogo, olhou para o banco e viu Ricardo Bueno e Jackson – contratações avalizadas pelo treinador. Depois da virada paulista, aos 15 minutos, o Atlético criou uma jogada com Serginho, que Rogério Ceni defendeu com o pé.

Baresi mudou a forma de seu time jogar, provocou um São Paulo melhor e ganhou fôlego para permanecer no comando. Um time mais organizado e que falha menos pôde esperar o Atlético. Devido a erros, o time de Vanderlei está há dez rodadas seguidas na zona de rebaixamento. Pela primeira vez em muito tempo, o treinador atleticano falou em futebol, cobertura, posicionamento e criação. Início tímido para se pensar em uma melhora que ainda não veio.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Desespero do Goiás foi bom para o Atlético

No jogo do pior contra o terceiro pior time do campeonato brasileiro, a tática era óbvia: ganharia o jogo quem aproveitasse os muitos erros que o adversário cometeria. Foi assim que o Goiás saiu na frente no início da partida após pênalti que Rafael Cruz cometeu e Bernardo marcou. Até os 35 minutos de jogo só se viu Goiás em campo com seis finalizações e quatro escanteios contra nada do adversário. Até que Obina marcou, também de pênalti e o time da casa se perdeu.

Ainda no primeiro tempo, o Atlético teve três boas chances de marcar, mas não conseguiu. Voltou para a etapa final se defendendo e aguardando o erro dos goianos. Para afundar ainda mais o time de Jorginho, bastou ao Atlético ser inteligente e esperar. Se a intenção de Vanderlei Luxemburgo em tirar Ricardinho e Diego Souza do time principal era motivar seus jogadores, deu certo: a jogada do gol da virada sai com os dois e Diego Souza fuzilando Harley.

A última vitória do alvinegro como visitante em campeonato brasileiro havia acontecido há exatos 10 meses – quando bateu o próprio Goiás por 3 a 2 no Serra Dourada. Obina, autor de dois gols, segue com status de talismã: desde que chegou, a equipe só não venceu uma das sete partidas em que o atacante marcou. O Goiás chega à 11ª partida sem vencer e iguala seu recorde negativo na Série A (em 2006 foram quatro empates e sete derrotas em sequência). Além disso, segue como pior mandante e passou a ter defesa mais vasada da competição com 32 gols. Não fosse pouco, ainda teve o presidente afastado e o novo treinador acabou de chegar.

As marcas negativas do Goiás apontam para a resposta de que é cedo para falar em evolução no Atlético. Hoje, é justo dizer que o time mineiro soube usar o desespero adversário a seu favor.